2021-06-05 Por terras de Gondar

E eis que voltamos às lides do VT, esperando que seja para continuar!...

Pois é, já com saudades destas andanças e após +/- 16 meses de Pandemia, vacinados e com as devidas precauções, espera-se que melhores dias virão para que tudo volte depressa á normalidade.

Desta vez, guiados pelo Cocas e pela Lúcia fomos visitar terras da união de freguesias de Gondar/Orbacém, pertencentes ao concelho de Caminha.

O ponto de início foi junto do cemitério e igreja paroquial de Gondar cujo padroeiro é o Divino Salvador.

A freguesia de Gondar fica localizada no vale do Âncora, e faz confrontação com as freguesias de Azevedo, Dém, Orbacém e Riba de Âncora, todas pertencentes ao concelho de Caminha.

Gondar é mencionada nas inquirições de 1258, e o seu padroado pertencia ao bispo de Tui.

O solo de Gondar apresenta características de grande riqueza mineral. Pela sua zona ribeirinha (rio Juncal, e regato da Porreira) foram no passado explorados minérios de valor inquestionável ex. Volfrâmio e Estanho. Abriram-se minas, de forma a rentabilizar estas extrações e Gondar conheceu algum progresso nessa ocasião. Nos tempos mais atuais Gondar apresenta uma característica ainda rural que a par das belezas ribeirinhas possibilitam condições de vida ambiental de valor acrescido.

Iniciamos assim o nosso percurso partindo de junto da igreja e cemitério, caminhando no sentido nascente, através do casario até ao lugar de Casal, continuando pelos lugar de Vareira, subindo para o lugar de Boi Morto, atingindo o lugar Da Freira, tudo isto através de campos e caminhos rurais ladeados por pequenas levadas, passando por antigos moinhos e belos recantos.

Cruzamos o lugar de S. Martinho em direção do lugar de Cabanas já na freguesia de Orbacém onde subimos até ao Calvário, local em que fizemos um pequeno reabastecimento, com vista para os seus campos de cultivo. O Lugar de Cabanas é um lugar de excelência de onde a vista se perde através dos campos e se avista a zona de foz no Atlântico do rio Âncora. Aqui se podem ver belas casas rústicas, construídas por “gente de fora” aproveitando a pedra de xisto.

Continuando, descemos através dos lugares de Porto e Cachada, cruzamos a estrada municipal 526 e até aos lugares de Boucinha e Redondelo,  e daqui ao lugar de Oliveiras onde fomos ver o seu parque de merendas, lavadouro e o belo recanto no ribeiro de Gondar da Ponte Nova, de um só arco em xisto e o moinho de Bouça Mé. Bem perto existe uma placa evocativa com um verso, em memória de uma famosa cantadeira:

 
Por baixo da Ponte Nova
Andam trutas a nadar
Por baixo do burro anda
Quem se ri do meu cantar
(Rosinha de Orbacém-cantadeira... e poeta)

 
Continuamos agora durante algum tempo acompanhando a levada do moinho, passando depois pelo lugar do Fojo, para subindo, cruzarmos o antigo Couto Mineiro de Gondar em que pudemos ter a oportunidade ver ao lado do caminho a entrada de uma antiga mina.

Continuamos em direção do núcleo urbano da freguesia de Gondar, passando um pouco por cima deste, até atingirmos  a pequena ermida da Sra. Da Agonia, imagem muito venerada pelas gentes de Gondar, erguida em lugar de destaque, de onde a vista se espraia pelo vale e lá no alto toda a imponência da mole granítica da encosta sul da serra D`Arga, com a sua torre de vigia instalada em Outeiro de Mós.

Aqui fizemos o reabastecimento já merecido, sem pressas e em convívio, devidamente resguardados.

Mas havia que continuar. Alterando agora um pouco o traçado do mapa, caminhando a meia encosta pela margem direita do vale do ribeiro de Gondar, sempre com vista para a encosta da serra D`Arga, com os pequenos lugares de Pedrulhos e Pedras Frias como que plantados na sua base.

Mais há frente cruzando o ribeiro para a sua margem esquerda, no lugar de Juncais procuramos seguir uma pequena levada na tentativa de nos levar a um local indicado no traçado como “Ferida Má”, tentativa frustrada, pois que bem procuramos mas não encontramos (Ferida Má é conhecido o local do Pincho em Amonde, será que estava marcado incorretamente?). Em breve passamos ao lado do campo de jogos, e logo passamos pelo lugar de Carotes e pelo caminho das Pocinhas (que não vimos), com suas casas bordejadas de jardins, repletos de flores de variadas espécies. Depois foi chegar ao local de fim deste percurso junto à igreja e cemitério de Gondar.

Após breve descanso aproveitado para as despedidas daqueles que tinham que regressar, rumamos os restantes mais uma vez a terras de Dém onde em local já por nós visitado várias vezes se fez um merecido lanche.

Como nota final, talvez dizer, que vamos procurar ainda antes das férias dar notícias de mais uma atividade.

Um até breve, esperando que tudo passe depressa.

Miguel Moreira
Vianatrilhos

Dados do percurso

Informação sobre os aspetos mais significativos:

Data2021-06-05
Hora de início09:12
Hora do fim15:31
Tempo total do percurso6h 05m
Velocidade média deslocação2,2 km/h
Distância total linear12,7 km
Distância total13,4 km
Nº de participantes16