2021-05-05 Ecocircuito da Corga da Padela + Stª Justa

Depois de muitos meses de inatividade, a pandemia deu tréguas e muito cautelosamente fizemos uma curta saída para um percurso em construção na Corga da Lapela, que decorre integralmente nos limites geográficos da União das Freguesias de Barroselas e Carvoeiro.

Foi um regresso muito limitado, quer na divulgação quer na participação, já que os tempos aconselham redobrado cuidado, e como a média de idade dos participantes era alta, todos os cuidados forram poucos para assegurar a segurança de todos.

Começamos pelas 15:00 junto à Represa da Fraga, na união de freguesias de Barroselas e Carvoeiro.

A represa da Fraga foi construída na década de 80, com a função de represar agua para regadio dos campos que se encontravam a jusante. Tem uma capacidade de armazenamento de cerca de 1.000m de água. Foi utilizada durante muitos anos para o regadio dos campos mas, entretanto, fruto da diminuição da atividade agrícola. Não tem tido tanto uso.

Desde o alto da serra, o Regueirão da Padela atravessa a Charca do Regueirão e a Corga da Padela, serpenteando entre vegetação ripícola autóctone, ladeando o Castro do Alto dos Mouros, caindo por cascatas e alimentando antigos moinhos.

Neste local, o leito do Regueirão da Padela decorre sobre imponentes e ingremes rochas a fraga — cujo esplendor se exibe quando a represa esta aberta. Quando a represa esta fechada, a subida do nível da água oculta a fraga e forma um pitoresco lago de águas cristalinas.”

Iniciamos a subida do Regueirão da Padela por um ingreme trilho que acompanha sempre o curso de água que vai saltitando ao longo da descida.

Depois de cruzar o ribeiro para a margem direita, passamos pelas ruínas degradadas dos Moinhos da Neta, de que a Comissão de Baldios tem prevista recuperação

“A força das águas do Regueirão da Padela foi, desde tempos antigos, engenhosamente aproveitada como força motriz para a ferramenta essencial à transformação de produtos agrícolas: os moinhos que existiam ao longo do seu curso.

Os moinhos a água tem a sua origem na Grécia, cerca do século III a.C., tendo a sua utilização sido espalhada na Europa pelos Romanos, numa tentativa ancestral dos povos que ocupavam (e ocupam) este território em subsistir, maximizando o aproveitamento do que a natureza lhes oferece.

A cerca de 30m a nordeste daqui, na outra margem do Regueirão da Padela, conflui um regato chamado rio Covo, que completa 1,2 km de extensão.”

Continuamos a subida pela margem direita do regueirão da Padela até ao Castro da Padela, também chamado de  Castro do Alto dos Mouros.

“A sensivelmente 250m a oeste daqui, no lugar da Pedreira, numa elevação intermédia que precede o cume do Monta da Padela, existiu o Castro da Padela, datado da Idade do Bronze.

Este castro, juntamente com o Castro do Alto dos Mouros e o Castro da Senhora da Aparecida, formam um conjunto de castros que, neste território voltado para o vale do rio Neiva, seriam dependentes da grande cidade que seria o Castro de Carmona, a cerca de 2km a sudoeste deste local.

Depois de uma curta pausa para contemplar o vale do rio Neiva e tentar descortinar os ténues vestígios da ocupação humana deste local, continuamos a subida do ribeiro, sempre muito bem sinalizada e com extensos trabalhos de reflorestação, que no futuro vão enriquecer ainda mais o enquadramento paisagístico deste trilho.

“Este ribeiro é o Regueirão da Padela. O seu início resulta de águas escorridas das vertentes norte e oeste do ponto mais alto da Serra da P adela - o alto de Bouça (que atinge 485m de altitude) - e da Bouça dos Paulos (entre o Vale do Lima e o Vale do Neiva, a 419m de altitude). Depois, prossegue aproximadamente para sul e sudoeste, percorrendo a Charca do Regueirão, rasgando a Corga da P adela, serpenteando entre vegetação ripícola autóctone, ladeando o Castro do Alto dos Mouros, caindo por cascatas, alimentando antigos moinhos e gravando o seu caminho por fragas (como na Represa da Fraga).

No Regueirão da Padela, confluem outros cursos de água de montanha, como a ribeira dos Crastos e o rio Covo. Por sua vez, e ao fim de 4,8km de extensão, e o Regueirão da Padela que conflui na Ribeira de São Paio, que mais tarde desaguara no rio Neiva.”

Chegamos finalmente ao Charco da Padela, ponto extremo do percurso marcado. Como ainda era cedo, decidimos continuar até à capela de Sanda Justa da Padela, tomando o ingreme estradão florestal que sobe do charco até ao Alto da Padela.

No coração da Serra da Padela e situada a 445 metros de altitude ergue-se a Capela de Sta. Justa que coincide com um excelente miradouro onde se pode observar grande parte do Vale do Neiva avistando-se, também, a cidade de Braga.
Há registos datados de 1659 dizendo que se “reformou a ermida de Santa Justa de madeira, telha e cal e pintaram-se de novo as duas imagens que nela estão”.
Santa Justa é advogada dos males da pele e os seus devotos ofereciam-lhe frangos, de preferência de penas brancas.

A subida foi puxada, mas lá fomos até à capelinha de Santa Justa, com seu belo miradouro para as terras do Vale do Neiva. Aqui houve tempo para uma pausa retemperadora com reabastecimento à fresca e a foto de grupo.

Seguiu-se O regresso ao Charco da Padela. Inicialmente usamos um caminho bem percetível, que seguimos até ao cruzamento com um estradão que contorna a serra. Conferindo a progressão pelo GPS e mapas disponíveis, verificamos que estávamos muito próximo do GR23 - Trilho dos Sobreiros, pelo que decidimos continuar em frente, a corta mato, para evitar a alongar o percurso.

A decisão revelou-se pouco acertada, pois a evolução foi difícil e por fim tivemos que contornar uma propriedade murada e abrir caminho pela densa vegetação, até finalmente atingir o malfadado caminho que dava acesso ao percurso do GR23.

Foi uma dificuldade extra, que se revelou difícil, mas que deu uma pitada de emoção ao percurso.

Chegados ao Charco do Padela, retomamos o percurso do ecocircuito, desta vez com amplas vistas para o vale do Neiva, que se extremam no ponto em que foi construída uma duradoura estrutura metálica encavalitada na penedia. É um Miradouro privilegiado para uma demorada observação da paisagem circundante, que permite a contemplação de todo o Vale do Neiva.

Mais uma pausa e fotos para retomar a descida, usando a interessante Calçada Nova.

“Este caminho revestido a pedra de granito a Calçada Nova. E datada do sáculo XIX e foi, durante décadas, a principal estrada florestal de acesso as zonas mais altaneiras do baldio. Era por aqui que subiam e desciam os carros de vacas que transportavam madeira e mato para as camas dos animais, a fim de produzir o estrume que, depois de curtido, era o fertilizante natural dos campos agrícolas. Ao longo da Calçada consegue-se ver com facilidade as marcas dos rodados dos carros nas pedras.

Com a construção de mais caminhos florestais e com o declínio da agricultura de subsistência, a Calçada Nova deixou praticamente de ser utilizada.”

Logo depois foi o regresso às viaturas, onde chegamos pelas 18:30, satisfeitos com o percurso escolhido para este “regresso às lides” já que se trata de um belo percurso muito bem delineado e assinalado, que decorre ao longo de uma corga encantadora, que vai ser muito valorizada pelo extenso plantio de espécies autóctones ao longo das suas margens.

Julgamos que uma boa aposta dos promotores do ecocircuito - Conselho Diretivo do Baldio de Carvoeiro, seria o seu prolongamento até à capela de Stª Justa, juntando assim a beleza do Ribeirão da Corga da Padela, à esplêndida paisagem do altaneiro miradouro de Santa Justa da Padela e seu frondoso parque de merendas, ideal para uma prolongada paragem.

José Almeida
Vianatrilhos

* Textos recolhidos dos placas do percurso

Dados do percurso

Informação sobre os aspetos mais significativos:

Data2021-05-05
Hora de início14:57
Hora do fim18:29
Tempo total do percurso3h 31m
Velocidade média deslocação2,9 km/h
Distância total linear6,6 km
Distância total6,7 km
Nº de participantes9