2015-03-21 Pela Nascente do Rio Leça

E pelas 09:30 lá estávamos, defronte do Santuário de Nª Sª da Assunção, em Monte Córdova, onde nos esperava o grupo, liderado pelo Professor André, que nos iria servir de guia.

O percurso escolhido foi, aproveitando troços de PR’s de Santo Tirso (PR1 e PR3), ligar os pontos mais singulares desta zona, nomeadamente o Castro do Monte Padrão, as Quedas de Água de Fervença e a Nascente do Rio Leça.

O Professor André fez uma curta introdução sobre o percurso e sua dificuldade. Falou em zonas piores, fazendo até menção a corda, para vencer possíveis dificuldades pontuais.

Pensamos que estava a brincar, mas o certo é que, pouco depois de deixar o recinto do santuário, tomamos um atalho junto a um muro de propriedade, que descia a bom descer… quase a pique. Se descer foi difícil, para subir… lá fez falta a malfadada corda, pois o penedio inclinado e liso, aconselhava um apoio suplementar, providenciado pelo guia. Mas foi mesmo pontual, pois a partir daí, seguimos o PR1 até ao Castro do Monte Padrão, sem qualquer dificuldade.

Passamos entretanto pela Capela de Padrão, ou das “rezinhas”, como alguns lhe chamam, local muito procurado para petiscar e depois “rezar” debaixo das frondosas árvores vizinhas.

O povoado Castrejo que aqui se instalou no século IX A.C. teve ocupação que se prolongou até à Baixa Idade Média e está bastante bem conservado e está enquadrado por um montado, que confere ao lugar um certo misticismo.

Para além da plataforma central do povoado, com os seus vestígios de edificações em períodos diversos, há uma plataforma mais a sul do "complexo romano", um templo dedicado a São Rosendo, contemporâneo de uma necrópole, com sepulcros de lajes graníticas. Um local belíssimo, merecedor de uma pausa de contemplação.

Daqui seguimos por trilho até ao lugar de Valinhas onde existem os restos de azenhas e um conjunto interessante de moinhos, quase encavalitados uns nos outros. Um pouco mais à frente aproveitamos o magnífico Carvalhal das Valinhas, para fazer uma pequena pausa.

Trata-se de um belo carvalhal de carvalho-alvarinho, também designado por carvalho-vermelho ou carvalho-roble ou  (Quercus robur), que foi no passado a árvore dominante das florestas portuguesas do Minho, Douro Litoral e Beiras.

Passando pela Capela da Senhora das Valinhas rapidamente descemos pela Granja até ao Facho, seguindo para as Quedas de Fervença.

Chegados à ponte do Frião, começamos a subida das Quedas Fervença, subindo de patamar em patamar, apreciando o Leça a precipita-se ao longo de várias quedas de água criando um espetáculo natural de enorme beleza, por entre um bosque de carvalhos. Foi no patamar superior que fizemos uma pausa para apreciar a beleza do local e tirar a costumada foto de grupo.

Terminada a ascensão, afastamo-nos das margens do Leça e o percurso tornou-se quase plano, apenas com pequenos desníveis, o que nos proporcionou uma progressão rápida para o Pereiras, local onde estava prevista a pausa de almoço.

Antes fizemos uma breve paragem no Engenho da Azenha de Pereiros, onde existiu um engenho hidráulico pré-industrial de serração e depois fomos até ao parque de merendas contiguo, onde assentamos arraias para a “merenda”.

Após o repasto, o momento solene dos batismos, desta vez distinguiu os caloiros Márcia Raquel, Sandra Dias e Amaro Castro, que mereceram esta elevada distinção, apadrinhados pelos veteranos Manuela Rego e Armando Branco.

Mas havia que partir, já que o nosso objetivo era a nascente do rio Leça, pelo que fomos evoluindo por caminhos rurais e florestais, passando pela Costa, Hortal e Redundo.

Fizemos por fim uma derivação para o Monte do Lavradio, já na proximidade da citânia de Sanfins, local onde brota o Leça.

O Professor André referiu-nos, que a preservação da nascente esteve recentemente em risco, com as obras de construção da estrada vizinha, tendo a nascente sido votada ao mais completo abandono, e apenas recuperada para a forma atual, por um conjunto de carolas, que se interessaram por este património.

Mais uma fotos para registar o momento, mais o indispensável abastecimento de água límpida da nascente do Leça e havia que continuar, regressando a Redundo e continuando depois para Cabanas, para finalmente atingir o Santuário de Nª Sª da Assunção.

Chegamos às 17:00, depois de mais de 20 Km de percurso, pelo que as pernas bem acusavam o esforço de tantas horas de marcha.

Havia assim que retemperar os ânimos para a viagem de regresso, pelo que fomos até ao vizinho Restaurante Assunção onde pudemos petiscar umas delícias da região, que ali sabem bem elaborar. Foi um fim de tarde magnífico, com umas vistas panorâmicas verdadeiramente espetaculares, que nos enchiam os olhos.

Por fim os agradecimentos ao Professor André, que foi inexcedível no acompanhamento desta nossa iniciativa pelas terras de Santo Tirso.

O nosso muito obrigado.

José Almeida

Vianatrilhos

Dados do percurso

Informação sobre os aspetos mais significativos:

Data 2015-03-21
Hora de início 10:39
Hora do fim 17:48
Tempo total do percurso 7h 09m
Velocidade média de deslocação 4.68 km/h
Distância total linear 20.1 km
Distância total 20.9 km
Nº de participantes 35