2013-03-02 Pelo Muranho até ao alto da Pedrada

08H00, café Vitral em Viana, ponto de encontro para alguns daqueles que se propuseram comparecer para enfrentar o desafio de caminhar até ao Alto da Pedrada na serra da Peneda.

Saídos de viana, ao longo do trajecto de automóvel, tempo para reagrupar outros companheiros que se haviam de juntar, neste belo trajecto através de estradas de montanha do nosso Minho.

O início da actividade foi no belo miradouro sobre Tibo na estrada que liga o Soajo à Peneda.

Daqui o panorama que se desfruta é lindo, para norte, ao longe divisam-se os lugares de S. Bento do Cando, Gavieira, Rouças e o Santuário de N, S, da Peneda. A nossos pés e para nascente, a grandiosa encosta da Saramagueira, a Fraga das Pastorinhas, e na base destas as águas da albufeira da barragem do Alto-Lindoso, delimitando território de Portugal e Espanha. Para sul os contrafortes das serras Amarela e do Gerês, com os seus imponentes Picos.

Fomos subindo a serra, sobre a brisa fresca da manhã. Em breve começamos a ter a percepção da grandeza de toda a envolvência em que nos íamos embrenhando. Continuamos, alongando-nos em pequenos grupos, conversando, passando aqui e ali por gado bovino que nos olhava com alguma indiferença. Sempre subindo, passamos pela Cruz da Naia, local aprazível logo aproveitado para a foto de grupo e breve retemperar de energias.

Mais para cima em lugar de “Veranda”, atingimos os Poulos do Muranho, com a sua fonte, onde dizem vêm beber as “Ninfas do Parnaso”. Os abrigos aqui existentes serviam e servem ainda de refugio aos pastores, que perdidos por ali andam.

Finalmente após ingreme subida atingimos o Alto da Derrilheira ou Serrinha. É de cortar a respiração as vistas que daqui se disfrutam. Aqui em lugar de destaque dominando a imensidão da serra, na base de um cruzeiro derrubado pode ler-se uma singela prece “Jesus, protegei as serras do Soajo”. Conta o “Ventor que quando pequeno andando por estas montanhas, olhava lá para longe e via muitas fumarolas. Um dia, pegou na mão do pai, e perguntou-lhe apontando, porque havia aqueles fumos nos montes, e o pai respondeu-lhe que eram os “carvoeiros”. Um dia subiu ao local, Viu homens e mulheres junto de três fumarolas, na azáfama diária do fabrico do carvão das raízes das urzes. Depois havia que o transportar, montanha abaixo, muitas vezes para longas distâncias, inclusive para os Arcos de Valdevez.

Aqui do Alto da Serrinha, vê-se Adrão,  Bordença,  Assureira,  Busgalinhas, Peneda e todas as serras em redor até terras de Espanha.

Mas o objectivo ainda não estava alcançado. Para isso continuamos subindo, agora mais suavemente até Outeiro Maior e daqui descendo à Corga da Vagem e atravessando um pequeno ribeiro, finalmente empreender a subida final até ao Alto da Pedrada, local mais elevado de todo o Minho. Aqui e ali mantos de neve faziam as delicias de adultos, quais crianças em brincadeiras de meninos.

Do Alto da Pedrada a vista estende-se em redor por  360º. Através da imensidão de toda a serra podemos vislumbrar todo o esplendor da mesma; os muros convergentes do Fojo do Soajo e de Colmadela, a branda de Seida, Lamas de Vez local de nascente do rio como mesmo nome, Alto do Pedrinho, o Vale do Ramiscal, etc. etc. etc..

As barrigas pediam algo, pelo que abrigados na encosta norte, protegidos da aragem vinda de sul, retemperamos as energias. Estando em plena cavaqueira, fomos surpreendidos pela chegada de um pequeno grupo de caminheiros “Bota Rota”, que aqui chegaram, que ficaram admirados pelo número de pessoas do nosso grupo. Tempo houve para conversa e em conjunto se fez uma foto de grupo, ficando a promessa de juntos caminhar em próxima oportunidade.

O tempo ia piorando um pouco, obrigando a redobrar os agasalhos, e a empreender o regresso. Descemos novamente à Corga da Vagem num local mais a norte, e daqui ao ponto mais elevado de Outeiro Maior, para podermos ver com mais clareza os muros convergentes e o fosso, para onde eram encaminhados os lobos. Ao longo do dia e pelo caminho pudemos encontrar grande quantidade de excrementos, denunciadores do dito animal, sinal da sua presença, talvez até observando os nossos movimentos.

Continuamos descendo ao longo da encosta de Outeiro Maior e pelo caminho num grande lençol de manto de neve houve oportunidade para executar breves descidas de “scu”,provocando momentos de animação.

Costuma-se dizer que “para baixo todos os santos ajudam”, pelo que alguns companheiros mais apressados resolveram “dar corda às botas”, julgo até nem breve paragem fizeram para encher a alma com uma última vista sobre a imensidão da serra. Outros sim, parando e olhando para trás puderam admirar lá no alto, já bem distantes, locais onde havíamos estado, porventura pensando, quando lá voltarei ?

Chegados ás viaturas, no final houve tempo para as últimas conversas e já com a luz a rarear, encetar a viagem de regresso a casa, não sem antes como de costume efectuar paragem para reabastecimento no sitio do costume em terras limianas.

Miguel Moreira

Vianatrilhos

Dados do percurso

Informação sobre os aspetos mais significativos:

Data 2013-03-02
Tempo de deslocação 05h 09m
Tempo parado 01h 31m
Deslocação média 2,8 Km/h
Média Geral 2,2 Km/h
Distância total linear 14.4 km
Nº de participantes 31