2010-07-03 Peneda - Brandas e Vale do Vez

Começamos em S. Bento do Cando, branda de cultivo que evoluiu para lugar de residência permanente. Pelo menos desde o Séc. XIII que este lugar foi um grande centro de romagem.

Bento, advogado das coisas ruins e de males desconhecidos, verdadeiro santo milagreiro, tem honras de 2 festas, a 21 de Março - morte de S. Bento e a 11 de Julho na festa da Solenidade (transladação das relíquias). S. Bento da Primavera e S. Bento do Verão, ciclo agrário Primavera / Verão. Os monges beneditinos ajudaram com certeza a transformar o monástico S. Bento num santo popular, S. Bentinho a quem é preciso pagar sem falta as promessas feitas. E assim se fez em tantos lugares: S. Bento da Porta Aberta, Gerês e Paredes de Coura; S. Bento do Ermelo, Soajo; S. Bento de Fiães, Melgaço,… S. Bento do Cando.

Subimos à Branda das Bosgalinhas que ladeamos para ter uma visão do conjunto do casario encostado à serra e aberto aos campos. Chegados ao cruzamento temos a sul a Seida, a Pedrada,… e para norte a Aveleira, Bouça dos Homens, … por agora saímos do caminho para atravessar um pouco em corta mato o rio Vez enquanto jovem. Retomamos o caminho antigo que nos levou à Branda de Real.

Nas brandas de cultivo instalam-se pequenas aldeias para viver de Maio a Setembro, com os gados e outros animais domésticos.

Na branda do Real- verdadeira imagem pré-histórica - como se lhe referem os autores de "construções Primitivas em Portugal" há cortelhos e colmaços (estes são construções de planta rectangular, cobertas de colmo, às vezes com dois pisos, sendo o de baixo destinados aos fenos e ao gado).

Os cortelhos, ou cardenhas e na serra Amarela, onde surgem construções muito semelhantes, chamados de fornos, são abrigos muito rudimentares, construções muito primitivas em pedra - único material acessível nos locais onde se encontram as brandas. São construções de falsa cúpula - fiadas de pedras dispostas em anéis horizontais sobrepostos, cujo diâmetro vai diminuindo gradualmente de modo que o círculo interno de cada anel ultrapassa um pouco o anel imediatamente abaixo e que lhe serve de apoio. No fim, no alto, restará um buraco de pequeno diâmetro que se fechará com uma ou mais lajes.

O lugar fala por si, os campos, há muito abandonados também.

Seguimos para norte e acompanharmos o rio Vez e "acompanhamos" o glaciar.

Os vales glaciários têm a característica forma em U estando o fundo dos vales tributários muito acima do dos vales principais onde desaguam, originando os chamados vales suspensos. Quando os glaciares desaparecem e os rios ocupam o seu lugar formam-se cascatas. No extremo do glaciar as águas de fusão do gelo dão início a cursos de água mais ou menos importantes.

Os glaciares deslocam-se a velocidades muito variáveis (20m/ano, 700m/ano) A velocidade de deslocação é máxima no centro e mínima na periferia. As rochas estriadas- afloramentos rochosos que estiveram coberto por glaciares apresentam estrias no sentido do avanço do gelo - as rochas polidas - em consequência da abrasão - viram muitas vezes as suas marcas serem apagadas pela erosão fluvial após o desaparecimento dos glaciares, como na Peneda onde só em alguns locais +e possível observar restos dos vestígios. A deslocação dos glaciares pode arrastar grandes quantidades de materiais das mais diversas dimensões a grandes distâncias do seu local de origem - blocos erráticos. Na Peneda pudemos observar estes blocos de granito assentes em rochas xistosas.

Os materiais arrancados às paredes do vale e os desprendimentos de rochas nas vertentes originaram moreias constituídas por materiais de diversos calibres. Pudemos observar estas moreias na junção do rio Vez com o seu afluente Aveleira, junto à Branda do Furado.

Á medida que nos aproximamos da Branda do Furado pudemos observar os "blocos erráticos" nas vertentes. Na chegada à branda desviamo-nos um pouco para observar a zona onde o rio da Aveleira desagua no Vez e onde o Vez inflete bruscamente para oeste correndo agora entre penhascos. Neste local ocorre a interceção das moreias (depósitos de materiais arrastados pelo glaciar).

Subimos por um caminho lajeado para chegar a uma chã de  onde observamos vasta área de paisagem do Alto-Minho e terras de Espanha. Na descida passamos por pequenas construções que constituem um conjunto de brandas de cultivo (Outeiro Gordo, Costa do Salgueiro, Lapinheira).

Chegamos a Crestibô, também branda de cultivo e abandonada. Impressiona a sua dimensão e o tipo de construção. Está rodeada de pastagens muito bem desenhadas formando um conjunto que nos atrai pela sua beleza.

Seguimos por entre carvalhos (Quercus Flobur - carvalho alvarinho) e rapidamente temos uma nova visão da multitude de socalcos que nos anuncia Padrão, mas antes passamos em Porta Cova que recebe da montanha o rio do mesmo nome saltitando por baixo da sua ponte. Daqui seguimos por caminho já conhecido e descemos a Sistelo, mais uma vez acompanhando os socalcos e com possibilidade de observar alguma atividade laboral, às vezes de idosos.

Clube Ar Livre

Bibliografia

O mar, o rio e a montanha

Edição Valimar

Construções Primitivas em Portugal

Publicações D. Quixote

Dados do percurso

Informação sobre os aspetos mais significativos:

Data2010-07-03
Distância total linear17 km
Nº de participantes40