2008-07-05 Entre a Granja e Gaia

Eram quase 08:20 quando as três viaturas vindas de Viana do Castelo, transportando onze caminheiros (mesmo após um ligeiro erro de percurso que os fez andar mais umas centenas de metros, não deixaram de cumprir o horário programado), estacionaram próximo da estação de metro da Casa da Música – Boavista 0 Porto 0.

Esperavam-nos quatro caminheiros residentes, amena temperatura e um sol espreitando por entre muitas nuvens, mas tranquilizador relativamente à chuva da véspera, às previsões da net-e-outras, de bom prenúncio em suma para a jornada agendada. Enfim, carago!, estamos em Julho, no Verão … (e, no Porto, escrevo eu).

Fomos então adquirir os bilhetes que nos iriam permitir viajar até à Granja, início do percurso pedestre: um cartão “andante” (0,50€) com um título Z4 (1,45€). Superadas na prática as dificuldades filosóficas relativas ao modus operandi das bilheteiras automáticas, pouco passava das 08:30 quando embarcámos no metro (emmetramos?...) que nos levou a Campanhã e, aqui, às 09:00 em ponto, o comboio urbano em que nos instalámos iniciava a marcha em direcção a Ovar, para nos largar na Granja no horário previsto.

Por estes caminhos fomos pondo as conversas-em-dia, desde o futebol ao preço do petróleo, da facilidade dos exames às dificuldades várias e diárias, dos ausentes em férias (as Isabeis e o Armando – saravá! França 1 Croácia 2) – o Joca – saravá! Noruega 1 Sames 0) e de férias (o Filipe – saravá! Família; as primas, Sr. Arquitecto, os primos!) e outros e etc. e distraídos e pouco despertos íamos comentando o escuro do céu-ao-mar e prevendo dificuldades bem escusadas para os presentes.

Apeados na Granja – mítica paragem do comboio Foguete Lisboa-Porto nos anos sessenta do século passado – foi sol sobre azul : o sombrio tempo esfumava-se nos vidros escurecidos das carruagens que se afastavam!... A pé pois iniciámos a rota em direcção da orla marítima, por entre casas aristocráticas com jardins apalaçados por várias fortunas e gostos, onde perto da marca do km 3/12 do caminho pedonal de 15 kms junto ao mar, tomámos o sentido da foz do rio Douro, onde em Lavadores iríamos atingir a marca do km 0/15, percorrendo as praias descritas no habitual programa desdobrável deste passeio. E como tudo aconteceu conforme programado, resta nesta memória registar alguns apartes e começar pelos negativos.

Não visitámos ELA e CEAR só cheirámos. Leitor atento logo exclamará : Porra! Que foram então lá fazer? Calma, eu já explico, pois não é o que estão a pensar, é somente a verdade.

Não visitámos a ELA (Estação Litoral da Aguda) – Aquário e Museu das Pescas – pois não obstante termos esperado alguns minutos pela abertura (10:00), confirmamos que não consideram grupo um conjunto inferior a 20 pessoas (éramos 15) e, não podendo beneficiar do preço mais reduzido (2,00€), entendemos ser excessiva a entrada a 4,00€/visitante para observação - que teria de ser necessariamente rápida piscadela turística – de equipamentos de pesca artesanal, antigos e recentes, e fauna e flora aquáticas locais, sobretudo marinhas.

Chegados ao CEAR (Centro de Educação Ambiental das Ribeiras de Gaia) que era e é gratuito, e outrora estava aberto aos sábados, impediu-nos o horário de funcionamento (de 2ª a 6ª e por marcação prévia).

Deixamos aqui estas considerações a quem entenda ou possa fazer chegar ao Sr. Presidente da Câmara, certos de que não deixará de ponderar uma correcção dos procedimentos em vigor tendente a conjugar os interesses turísticos com os comerciais – mais magras, Sr. Dr. Filipe Menezes, as finanças!...

Percorremos o Parque das Dunas da Aguda, que se encontra em obras de beneficiação de passadiços, resguardos, vedações e legendagem, mas em cuja barraquinha encontrámos todas as informações necessárias e complementares.

Visitámos a Capela do Senhor da Pedra onde, caminheiros sentados no escadório, tirámos fotografia do grupo e comemos a primeira bucha.

Já se nos havia juntado a Ana, filha do casal Rego, que nos iria acompanhar até à Afurada. Adiante, também, juntaram-se a Idalina e o Eduardo, casal amigo dos Nogueira da Silva, e com cuja simpatia e vivacidade esperamos contar em futuras caminhadas. Também para o baptismo pois começar logo com o crisma nas caseiras caves Cálem não vale…

O ritmo foi sempre calmo, lento, a dar-para-tudo: cafés, xis-xis, pão-quente, bebidas frescas, eu sei lá que mais! Mesmo algumas episódicas acelerações conduzidas pela Elisa e o Pimenta, pouco contribuíram para a chegada ao destino com uma hora de avanço (16:30).

O sol foi-se impondo ao longo da caminhada e das mangas-curtas do início, passando pelos cremes bronzeadores derretendo contra uma ligeira e agradável brisa marítima, chegou-se ao tronco-nu da bucha principal, tomada calma e demoradamente num pequeno oásis entre rochedos juntinhos ao mar. Não houve banho, mas o Rego partilhou o vinho.

Já havíamos ultrapassado a marca do km 0/15, comido e descansado quando ali, precisamente ali, onde o mar acaba e o rio começa e inscritas num rochedo em forma de tartaruga, foi assim que o Miguel o descobriu, foram aos participantes reveladas e mostradas as gravuras-da-tanga, sabe-se lá se autênticos vestígios pré-célticos certificadores de cultos pagãos dos antepassados nossos que nos meteram este genoma das andanças.

As obras de requalificação da marginal entre a Baía de S.Paio e a Afurada foram positivamente apreciadas, na dupla visão da sua concepção e sabor do olhar correndo ao contrário das imagens do poema de Carlos Tê celebrizado pela música e voz de Rui Veloso.

Tendo sido possível antecipar a visita marcada (17:30) nas Caves Cálem, encurtámos o tempo de espera e descanso à sombra da vista da Ribeira e Porto, e guiados pela Ângela fomos engarrafados num balseiro feito auditório onde, no silêncio e frescura do vasilhame, fomos vendo um vídeo promocional da empresa, caves, vinha…, vinho …inho… o…óó…Despertos por mais silêncio, ausência total de ruídos que embalavam Morfeu, seguimos para uma sala onde painéis com fotografias, textos, gráficos e outras amostras, contendo e contando a história da região do Douro, solos e clima, plantio, poda, tratamento e colheita da vinha, transporte e pisa das uvas, até às cubas dos modernos processos de vinificação e armazenamento e, como ia realçando a voz da guia, no tempo certo, vindo rio Douro abaixo para descansar nos armazéns de V.N.Gaia, até ao engarrafamento final do produto que então se chamará vinho do Porto.

Verificámos a altura das cheias do rio num original marcador, percorremos corredores repletos de vasilhame de todos os tamanhos e feitios, revimos a matéria da matemática instantânea que permite com um simples olhar determinar o nº. de pipas necessárias para esvaziar um balseiro e, depois de nos serem apresentados os produtos da casa, passámos ao salão de provas onde nos serviram um branco meio-seco e um tinto 10 anos. Tendo antecipadamente agradecido por todos, algumas garrafas compradas na loja reiteraram o agradecimento e agrado da visita.

Continuámos a pé e atravessámos o tabuleiro inferior da ponte D.Luiz, donde alguns miúdos se atiravam (é o termo certo) ao rio para espanto dos muitos turistas e gáudio dos passantes parados.

Carregado o cartão “andante” com um título Z2 (0,95€) apanhámos o funicular dos Guindais que num ápice nos fez subir ao Porto alto, não sem permitir um último e prolongado olhar mergulhado sobre as ribeiras, entre a terra e a água, com o esplendor do sol a descobrir dédalos de ruas escondidas, a dimensão turística que os guias ensinam em três dias ou menos, espaço popular carregado de memória e de cicatrizes profundas, assim foi mais-ou-menos que escreveu o Eduardo PC. E, acho eu, muito bem.

Seguimos para a estação de S. Bento onde, validando de novo o mesmo Z2, apanhámos o metro para a estação da Trindade e desta, mudando para a linha azul (do dragão, claro azul…), rumámos em direcção do ponto inicial – estação da Casa da Música. Tendo sido para alguns a última caminhada da época (foram uns bons 20 kms ao todo), despediram-se com votos de boas férias a Ruth, a Idalina e a Elisa.

Nós, os restantes outros, guardadas as mochilas nas bagageiras e zeladas as ligeiras mazelas, dirigimo-nos pela Via Norte até Pedras Rubras, estacionando pelas 19:00 no parque do restaurante A Telha, onde já nos esperavam a Teresa e o Fernando Vilaça.

Seguiu-se uma sardinhada bem regada e animada pelas conversas que perspectivam uma próxima época bem recheada de eventos e participada de companheiros.

Capitaneados pelo impecável Luís Santos, e até porque as alterações ao código da estrada só entravam em vigor à meia-noite, não teria sido necessário empreender o regresso a Viana pelas 22:00, mas a vida é assim e continua, sDq.

E pronto chega ao fim esta memória encomendada que já vai bem longa, feita – imaginem! –por um diplomado em fotografia e cinema que, para a ilustrar, conta com os registos dos outros, e o que para avaliar do mérito do autor só este retrato exibe e basta!

Amigavelmente, vosso

Fernando AV de Mesquita Guimarães

Vianatrilhos

Nota final: Ao longo do texto cita-se e abusa-se descaradamente do anúncio “mais magro, Sr. Engº, o leite!”. Também se transcrevem informações sigilosas, confidenciais. Porém, não se revelando os autores delas, diluídas no anonimato do texto, fica assegurada a despenalização no civil, certo de nada ser possível fazer para evitar o crivo fininho (escutas) da comissão disciplinar + conselho de justiça e, portanto, a despromoção é certa.

Praias e orla costeira

Vila Nova de Gaia é conhecida pela sua extensa faixa costeira, com aproximadamente 17 km de areal.

Em 2006, foi o concelho do país com mais praias ostentando o prémio Bandeira Azul. No total, 17 praias receberam o galardão.

Recentemente a requalificação de toda esta área contemplou a construção de um passadiço em madeira que permite percorrer a frente de mar, livre de trânsito, e ligando a praia de Lavadores a Espinho.

Entre outras encontramos as praias da Madalena, Valadares, Miramar, Aguda e Granja.

Ao longo da costa, existem vários locais de interesse para além da actividade balnear, entre os quais se destacam a Capela do Senhor da Pedra na Praia de Miramar, a vila piscatória da Aguda e finalmente, o lugar da Granja, uma das mais famosas e antigas estâncias balneares portuguesas.

A Granja é ainda conhecida por ter sido o local onde Sophia de Mello Breyner Andresen passou grande parte da sua infância e juventude e fonte de inspiração para os elementos marítimos das suas obras.

 

RETIRADO DE: pt.wikipedia.org

Capela do Senhor da Pedra

A Capela do Senhor da Pedra localiza-se junto do mar e está assente num rochedo, foi construída no século XVII, de planta hexagonal com um Altar-mor e dois retábulos laterais de talha dourada e de estilo Barroco/Rococó. Possui diversa estatuária religiosa, sendo de salientar a imagem de Cristo crucificado.

A romaria ao Senhor da Pedra é uma das mais típicas de Gulpilhares, é uma festa muito antiga que se realiza anualmente nas praias de Miramar, no Domingo da Santíssima Trindade e que se prolonga até à Terça-feira seguinte.

A origem do culto a Cristo na Capela do Senhor da Pedra pode ter origem num antigo culto pagão, de carácter naturalista, dos povos pré-cristãos, cujas divindades eram veneradas em plena natureza, tendo posteriormente sido convertido ao Cristianismo.

 

RETIRADO DE: pt.wikipedia.org

 Origens de Vila Nova de Gaia

A origem de Vila Nova de Gaia remonta provavelmente a um castro celta. Quando integrada no Império Romano, tomou o nome Cale . Este nome é, com grande probabilidade de origem Céltica, um desenvolvimento de "Gall-", com a qual os Celtas se referiam a eles próprios.

O próprio rio Douro é igualmente celta, construído a partir do Celta "dwr", que significa água.

Durante os tempos romanos, a grande maioria da população viveria na margem sul do Douro, situando-se a norte uma pequena comunidade em torno do porto de águas fundas, no local onde se situa agora a zona ribeirinha do Porto. O nome da cidade do Porto, posteriormente, "Portus Cale", significaria o Porto ("portus" em latim) da cidade de Gaia.

Com o desenvolvimento como centro de trocas comerciais, a margem norte acabou por também crescer em importância, tendo-se aí estabelecido o clero e burgueses.

Com as invasões mouras do século VII D.C., a fronteira "de facto" entre o estado árabe e cristão acabou por se estabelecer por um longo período de tempo no rio Douro, por volta do ano 1000. Com os constantes ataques e contra-ataques, a cidade de Cale, ou Gaia, perdeu a sua população, que se refugiou na margem norte do Rio Douro. Uma das lendas mais associadas a Gaia refere-se ao confronto entre o rei cristão D. Ramiro, e o rei mouro Albazoer, despoletado por pretensões amorosas.

Após a conquista e pacificação dos territórios a sul do Douro, por volta de 1035, com o êxodo e expulsão das populações Muçulmanas, deixando terras férteis abandonadas, os colonos estabeleceram-se novamente em Gaia, em troca por melhores contratos feudais, com os novos senhores das terras conquistadas. Esta nova população refundou a antiga cidade de Cale com o nome Vila Nova de Gaia em torno do castelo e ruínas da velha "Gaia".

O nome das duas cidades de Porto e Gaia era frequentemente referida em documentos contemporâneos como "villa de Portucale", e o condado do Reino de Leão em torno da cidade denominado Portucalense.

Este condado esteve na origem do posterior reino de Portugal.

Após a fundação de Portugal, as duas cidades que deram origem a Vila Nova de Gaia mantiveram-se autónomas.Gaia recebeu carta de foral do rei D. Afonso III em 1255 seguindo-se Vila Nova em 1288 por decreto de D. Dinis.

Em 1383, no entanto, ambas foram integradas no julgado do Porto, perdendo a sua autonomia. Reconhecida sobretudo pela pujança agrícola, teve um papel fundamental no desenvolvimento comercial do Vinho do Porto. Aqui se fixaram a Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro, e os armazéns das diversas companhias exportadoras.

No século XIX, esteve no centro de batalhas significativas em grandes conflitos armados. Tanto na Guerra Peninsular como nas Guerras Liberais, o Rio Douro marcou a fronteira entre os campos beligerantes, sendo palco de batalhas significativas. Data deste segundo conflito o desenvolvimento e reputação de uma das imagens de marca da cidade, a fortificação da Serra do Pilar, durante o Cerco do Porto.

No final das guerras liberais, Gaia e Vila Nova foram finalmente agraciadas com autonomia política, e ao fundirem-se nasceu o actual concelho de Vila Nova de Gaia, em 20 de Junho de 1834.

 

RETIRADO DE: pt.wikipedia.org

Dados do percurso

Informação sobre os aspetos mais significativos:

Data2008-07-05
Distância total linear18.5 km
Nº de participantes17