2008-02-09 Sítios de Afife

Esta actividade extra-programa, foi organizada pelo companheiro Ernesto do Paço, e teve por pano de fundo a freguesia de Afife, que ficamos a conhecer um pouco melhor.

O início estava marcado para as 10.00, tendo a colaboração de França Amaral, historiador local, para nos guiar pelos locais mais relevantes da freguesia, que visitamos demoradamente.

Tivemos assim oportunidade para passar por:

Lugar do Cruzeiro – junto do cruzeiro paroquial, construído em 1747

Caminho de Paranhos

Caminho da Rocha – Sra. da Rocha, capela dos finais do séc.XIX

Largo Tomás Fernandes Pinto; Casino Afifense

Estrada Pedro Homem de Melo 

Ponte de Afife

Caminho da Ponte – (Fátria, piscina natural no rio)

Caminho das Mangueiras

Caminho do Pião

Largo da Oliveira

Caminho de Gateira

Largo da Armada

Caminho do Barroso

Convento de Cabanas Estrada de Cabanas

Urbanização de Cabanas

Estrada para Agrichouso

Caniço do Agro

Carreiro do Nabalinho

Capela da Sra. das Dores ( construída, em 1768).

Estrada de Agrichouso

Carreiro de Santo Ovídio

Caminho da Pedreira – Capela da Sra. do Amparo (construída, em 1754)

Caminho da Gamosa – Fonte da Gamosa

Caminho da Fonte do Forno (Fonte anterior ao séc.XVI, referida nas vereações de 1610, 1614, 1656, 1660, 1678, 1700, 1701 e 1702, chegou, contudo, até aos nossos dias, ainda como fonte de chafurdo, tendo, no entanto, sido reformada em 1614/1615. Nesta data foram construídos, de cantaria, um arco e uma pia que servia de reservatório. Assim, chegou, no essencial, até aos nossos dias, tal como fora reformada em 1614, uma das fontes mais antigas da freguesia).

Caminho do Cotelo

Largo das Vendas / Tílias

Casa da Quinta (almoço)

No fim uma paragem para almoço na casa de António Vale, onde tivemos oportunidade de provar um pitéu cozinhado por este e pelo Tone Bento, que não necessita de mais apresentações, tal a merecida fama conquistada na sua casa de pasto, antigamente situada na Rua Gois Pinto, próximo da igreja de S. Domingos.

Foram uns deliciosos Samos de bacalhau, com grão, e mais tarde, ao lanche, umas percebas e mexilhão da costa, apanhados nessa mesma manhã.

Foi um dia em cheio, que agradecemos ao Ernesto, que foi o inultrapassável nesta organização.

José Almeida

Vianatrilhos

O nome de Afife

É possível que o topónimo Afife se trate de um genitivo antroponímico árabe, Afif, que inicialmente era utilizado como adjectivo para designar algo ou alguém virtuoso; mais tarde porém, aparecia num documento de 1108, com a designação Afifi, sugerindo a existência de uma Villa Afifi, que adquiriu o nome do seu senhor. Ao longo dos séculos, o topónimo foi apresentando diferentes grafias: Fifi, Affifi, Afifi até culminar em Afife.

Há ainda uma outra versão considerada popular. Segundo o arqueólogo José Bouça, a origem do topónimo é romana, de Aff-hifas, significando sopa de cabelos. Esta definição remonta à época em que a legião de Júlio César invadiu as terras lusas, massacrando as populações e violentando donzelas e damas lusitanas. Estas, para fugir a tal horror, torturaram-se a elas próprias, desfigurando os rostos e cortando os cabelos, cujas madeixas esconderam na corrente de uma fonte, para que não fossem manchadas pelos lábios impuros do inimigo; os soldados, para matar a sede, dirigiram-se à fonte e refrescaram os seus lábios com os cabelos molhados das donzelas, resultando daí a expressão: sopa de cabelos.

Há ainda a considerar, que se pode encontrar a localidade de Afif, que se situa entre Meca e Medina na Arábia Saudita e outra no Gana, com o nome de Afife.

Triquelitraques

Também conhecidos por Zaclitracs, são idiofones usados na Quaresma, no Carnaval, Serrações da Velha... São matracas de martelo que constam de uma tábua (+- 40 cm de comprimento) na qual estão aplicados pequenos martelos de madeira, cujo cabo gira num eixo passado entre dois suportes fixos à tábua.

Em Afife e Montedor, os Triquelitraques têm várias séries de martelos, dispostos quatro a quatro ou cinco a cinco em duas e às vezes três linhas, e com a ponta do cabo enfiado num eixo de arame.

Os Triquelitraques  seguram-se com uma mão no alto e outra em baixo e sacodem-se fortemente e em cadência certa, de modo que os martelos batam na tábua todos ao mesmo tempo e num ritmo variado e regular, o que é por vezes um pouco difícil de realizar com perfeição. Tocam-se em conjunto, por muitos rapazes, ao mesmo tempo

Afife - Um pouco de história

A data de fundação desta freguesia é tão recuada que se perde no tempo, contudo, atestam a presença do Homem nestas paragens desde as mais remotas épocas, os vários castros dispersos no interior da freguesia, mais alguns monumentos arqueológicos, além de abundante material lítico.

Dos castros, dois são de enorme importância: o castro ou Morro dos Mouros, ou ainda, Cividade, como foi em tempos designado, situado no alto da montanha que separa a povoação de Afife da de Âncora (concelho de Caminha), visto que está implantado em terrenos das duas freguesias. Este foi um povoado poderosamente fortificado com grossas muralhas de que ainda existem vestígios.

Mais próximo do mar, o castro de Santo António, assim chamado pela existência da capela votada ao Santo taumaturgo, ocupa praticamente todo o pequeno montículo, prolongando-se para Sudeste. Além destes dois castros, conhecem-se ainda: o castro do Cutro, onde foram descobertos vestígios de uma estrada de acesso, em espiral; mais dois no lugar de Agrichouso e talvez mais alguns na montanha.

Mas os vestígios da passagem do Homem por estas terras não se resumem aos castros, são também importantes testemunhos: uma vila rural romana nas Baganheiras, uma mamoa no Modorro e possivelmente outra no Concheiro, diversos vasos funerários, pedras escavadas na costa que deveriam ser pequenas salinas arcaicas e muitos outros materiais, tais como mós, picos, raspadores, machados, etc.

Na vizinhança que limita a freguesia, conhecem-se outras notáveis fortificações castrejas e estâncias arqueológicas, o que lhe transmite, mais uma vez, uma grande antiguidade de povoamento que, no entanto, dada a exposição dos seus terrenos aos assaltos do mar, não pode considerar-se que tenha sido de forma continuada desde as épocas pré-romanas até aos nossos dias.

Alguns historiadores presumem que os Celtas e os Fenícios, aqui se fixaram, especialmente os últimos, povo de navegadores e pescadores, que se instalaram ao longo de grande parte da costa marítima portuguesa. O repovoamento de Afife remonta à tomada de posse da chamada Marinha  pelo Conde de Tui, D. Paio Vermudes, ou algum dos seus filhos, conforme se vê em documento datado do século X, citando villas neste litoral. Assim, o repovoamento ter-se-á dado depois de 868 e antes de 890, não se sabendo se nesta época a terra se chamaria já Fifi ou Afifi (grafias com que se apresentava em referências do final do século IX) ou se recebeu este nome do principal povoador ou fundador, sujeito ao dux ou a seus filhos.

Convento de Cabanas

Situado numa encosta junto à margem direita do rio Afife, este convento integra-se na Quinta de Cabanas e é composto por uma igreja com torre sineira, capela-mor e dependências conventuais.

Segundo a tradição local, antes da fundação deste mosteiro terá existido no mesmo local uma ermida, com algumas cabanas, covas ou grutas na serra ao redor, onde viviam os frades que S. Martinho congregou e aos quais deu a Ordem de S. Bento.

A fundação primitiva do mosteiro de Cabanas data de 564, sendo atribuída a sua edificação a S. Martinho de Dume. Nas centúrias seguintes, o mosteiro prosperou economicamente, tornando-se senhor de todas as terras circundantes. Segundo as Inquirições de 1258 o mosteiro de Cabanas era de padroado real, tendo sido D. Sancho I a definir os seus limites em 1187. Sucederam-se os comendatários, e cerca de 1382 o mosteiro passou para a Ordem de São Bento, tornando-se uma casa de convalescença e repouso de doentes.

O complexo conventual foi reformulado no início do século XVII, numa campanha de obras que lhe conferiu o aspecto actual. A estrutura seiscentista do convento apresenta um modelo maneirista erudito com programa decorativo de raiz flamenga. A igreja, de pequenas dimensões, possui planta longitudinal de nave única, à qual foi adossada na fachada lateral esquerda a torre sineira, de secção quadrangular, e na fachada lateral direita as dependências conventuais, de que se destaca o claustro, também de planta quadrangular.

O programa decorativo é de grande sobriedade, de acordo com as linhas austeras do edifício, tendo o seu autor optado por elementos decorativos como os pináculos e as volutas. O portal de moldura rectangular simples é rematado por frontão interrompido e encimado por um nicho, decorado por volutas e enrolamentos, com a imagem de São João, ladeado por janelas gradeadas. O corpo da igreja e a torre sineira são rematados por pináculos e cobertura cónica.

O claustro, de dimensões reduzidas, foi edificado numa linguagem clássica, apresentando dois registos, o primeiro com arcada assente em colunas toscanas, e o segundo com janelas separadas por colunelos de cantaria. Ao centro da quadra do claustro foi edificada uma fonte com tanque circular decorado por volutas e imagem escultórica ao centro.

Em 1834, com a extinção das Ordens Religiosas, o convento e a propriedade circundante passou para a alçada da Fazenda Nacional, sendo vendido em Março desse ano em hasta pública ao General Luís do Rego, Visconde de Geraz do Lima; a partir de então o convento teria vários proprietários. No século XX o Convento de São João de Cabanas ficou conhecido por ser o local de férias do poeta Pedro Homem de Mello.

Este monumento encontra-se protegido como Imóvel de Interesse Público, através do Decreto nº 67/97, publicado em Diário da República nº301 de 31 de Dezembro de 1997. (IPPAR)

«Alta magnólia, brônzea de folhagem,
E de flores de neve a arder no lume
De capitoso e oriental perfume,
Do convento-solar guarda a passagem.»

Elementos retirados de:

freguesiasdeportugal.com

Dados do percurso

Informação sobre os aspetos mais significativos:

Data2008-02-09
Tempo de deslocação01h 51m
Tempo parado00h 53m
Deslocação média 4,0 Km/h
Média Geral2,7 Km/h
Distância total linear7.5 km
Nº de participantes25