2008-01-12 Pela Serra de Stª Luzia

Embora cinzento o dia proporcionou-nos um agradável passeio pela bela Serra de Santa Luzia.

O percurso iniciou-se nas traseira do Templo de Santa Luzia, com o céu carregado de nuvens de chuva, que faziam prever o pior para esta cinzenta manhã de um frio Janeiro.

Fomos a medo até ao miradouro da casa do guarda florestal da Carreira de Tiro, onde tiramos a foto do pequeno grupo que compareceu à chamada, para esta primeira marcha de 2008.

Como o tempo parecia mais seguro iniciamos a escorregadia descida para o Fincão, fazendo depois o trajecto do cano de água até ao cruzamento do trilho que liga Stª Luzia a S. Mamede.

É impressionante esta obra de engenharia, que recolhe a água em diversas minas da serra e a conduz ao longo de diversos quilómetros, até ao depósito de águas dos Serviços Municipalizados das Ursulinas. O tubo é composto por blocos graníticos maciços, furados ao comprimento e encaixados um nos outros, conduzindo no seu interior a tão preciosa água de montanha, cristalina e pura, para o consumo da cidade Viana do Castelo.

Ainda hoje, pesem os anos de construção e os novos meios disponíveis para a sua captação e tratamento, estas captações de montanha continuam activas e em estado aceitável de conservação, atestado pelos "raposos" que se vêem ao longo do cano, que não são mais do que raízes que se vão formando no interior dos canos e que tem que ser limpas periodicamente, de modo a não obstruir a passagem da água.

Deixando para trás o cano de água, descemos para a estrada de S. Mamede e desta até à Quinta da Boa Viagem, cruzando o Ribeiro da Areosa e iniciamos a subida para o Poço Negro.

O temporal derrubou algumas árvores, que nos complicaram bastante a progressão, mas lá fomos improvisando passagens pelo meio dos ramos ou fugindo ao estrito trilho até chegar ao Poço Negro, agora com uma abundante torrente de água, que impedia a normal progressão.

Que fazer? Passar a torrente, descalçando as botas, ou ir à volta, retornando à estrada de S. Mamede e tomando o caminho da margem esquerda do ribeiro do Pego?

Parte dos presentes optaram pela travessia, mas a maioria, receosa de uma queda na escorregadia passagem, optou pelo regresso pelo traiçoeiro trilho de acesso à Areosa, retomando depois o acesso pela vertente esquerda até fazermos o encontro com os restantes.

Agrupados, junto à Cruz de granito que sobranceira ao Poço Negro, iniciamos a subida pela margem do Ribeiro do Pego, passando pela edifício de captação de água dos Serviços Municipalizados de Viana do Castelo, continuando a agreste subida pela margem do ribeiro à direita, saltitando de pedra em pedra e atravessando o curso de água, de acordo com as dificuldades de acesso, até finalmente atingir a ponte.

Aí tomamos o caminho à esquerda e pouco depois voltamos a cruzar o Ribeiro do Pego, iniciando a subida para o Castro do Pego, que não alcançamos, pois a densa vegetação circundante e as condições do tempo, não aconselhavam mais esse esforço.

Deu sim para observar o seu fosso defensivo e ao longe a sua excelente localização defensiva, dominando a paisagem.

Almoçamos na vertente virada à Areosa, abrigados do vento, que nos cortava as mãos, mas não arrefecia a boa disposição.

A pausa foi curta, pois o tempo continuava cada vez mais escuro e ameaçava mais um aguaceiro, pelo que retomamos o percurso, na direcção da estrada florestal de Carreço, que liga a freguesia a Santa Luzia, recentemente beneficiada com uma pavimentação em alcatrão, pela necessidade de acesso ao complexo eólico.

Aí começamos a descida para o Lajão, cruzando o Ribeiro das Bouças, seguindo-se a subida para os Currais de S. Pedro, que observamos à nossa esquerda.

Um pouco mais à frente o Miguel levou-nos a ver o local da Rapa das Bestas, local em que outrora, quando chega a Primavera os camponeses e ganadeiros que criam os cavalos em regime de liberdade, espalhavam-se pelos montes para, com gritos guerreiros, obrigando os animais a descer aos vales, numa espectacular e ensurdecedora galopada.

Uma vez no curro, que na maioria das vezes se resume a um conjunto de paliçadas, tinha início o Rapa das Bestas, propriamente dito, um ritual onde os homens separam, marcam a fogo e cortam a crina das reses, colocando novamente em liberdade os cavalos e as potras.

Os vestígios são já muito poucos e resumem-se a pequenos muretes circulares em pedra, meio escondidos pela agreste vegetação, que nos castigou as pernas, pelo que só pelo conhecimento anterior do local seria possível a sua localização.

Continuamos a subir o trilho, tendo um pouco depois inflectido à direita, na direcção de S. Mamede, descendo o Rego do Diabo até atingir a Bouça da Traça. Segundo os locais o Rego do Diabo deve o seu nome ao acentuado desnível, que obrigada a um enorme esforço dos carros de bois na sua descida, que carregados iam para cima dos bois, causando grande sofrimento aos animais e pondo em risco, carga, animais e homens, que por diversas vezes saíram mal deste acentuado declive.

Chegados a S. Mamede tomamos o estradão florestal, até à mina, tendo-se aqui o grupo separado, pois o Joca e Abreu tinham compromissos profissionais, que os obrigaram a encurtar o caminho.

Viramos à direita e tomámos o percurso do cano de água, até ao ponto em que, de manhã, abandonamos o seu traçado.
Desta vez tomamos a esquerda, subindo na direcção de Santa Luzia, onde chegamos pouco depois, tendo junto à citânia feito um último esforço, para ir até ao miradouro do depósito de água, com a explêndida vista para a cidade e mar, tendo-se finalizado o percurso pelas 17.00 junto ao templo.

José Almeida

Vianatrilhos

Dados do percurso

Informação sobre os aspetos mais significativos:

Data2008-01-12
Tempo de deslocação05h 43m
Tempo parado02h 09m
Deslocação média 3,6 Km/h
Média Geral2,6 Km/h
Distância total linear20.7 km
Nº de participantes17