2006-12-16 Pelos Subterrâneos do Porto

Começamos no Jardim da Arca D’ Água, pelas dez da manhã.

Ouvidas as instruções do guia, calçadas as galochas, colocados os capacetes na cabeça e distribuídas as lanternas, descemos as primeiras escadas e regredimos no tempo, até ao período em que estes túneis, cuja construção foi iniciada em 1597, abasteciam de água as fontes e chafarizes da cidade do Porto.

Na altura, os mananciais mais abundantes eram os de Paranhos, Salgueiros, Campo Grande, Camões, Póvoa de Cima, Cavaca, Fontaínhas, Virtudes, Aguardente e Malmeajudas.

Depois de observarmos as fontes principais do manancial de Paranhos em pequenos grupos (era conhecido também como o manancial da Arca de Água ou Arca das Três Fontes, por serem três as nascentes de onde a água brotava), foi feita uma breve paragem para nos reagruparmos na Rua Nove de Abril.

Depois acenderam-se as lanternas para se penetrar num percurso escuro e estreito, que só terminará quase três quilómetros mais à frente, com algumas subidas à superfície pelo meio.

Ao longo desta obra de engenharia notável, toda ela construída à mão, pudemos observar várias nascentes de água que, apesar de já não ser usada para consumo doméstico, serve ainda para efeitos de rega em algumas situações.

O simpático guia Pacheco foi-nos informando da nossa localização e avisando dos diversos obstáculos que se iam sucedendo – "Cabeça", "Pedra", "Degrau", “Buraco". A frase imediatamente antes - "Cuidado com ..." - deixou de se usar ao fim de poucos minutos.

Também as pequenas placas colocadas nas paredes graníticas nos iam indicando o que estava por cima das nossas cabeças: Rua 9 de Abril, Rua de Serpa Pinto, Rua dos Burgães... A seguir, a saída foi obrigatória.

É hora de um curto período de descanso para retemperamos forças e endireitar as costas, já bastante martirizadas pela pouca altura disponível nos túneis.

A viagem prosseguiu, novamente debaixo de terra, até à proximidade da Rua da Boavista, perto da Igreja da Trindade, onde o subterrâneo foi obstruído pelas obras do metro.

Aí a alternativa teve que ser uma deslocação pela superfície até à Faculdade de Engenharia, na Rua dos Bragas, onde depois de tirada a foto de grupo, regressamos aos subterrâneos, continuando agora com melhores condições de iluminação até à Praça Coronel Pacheco.

É altura de lavar as mãos, sacudir o pó, entregar os capacetes e endireitar as costas.

O grupo está mais cansado e bem mais sujo do que quando entrou, mas a satisfação é evidente no rosto de todos.

Terminamos assim uma viagem pela história do Porto - a parte subterrânea da cidade - que tão importante foi em tempos para a sobrevivência da população da cidade.

Esta jornada terminou em profunda meditação, numa bela tripalhada no solar da Conga, onde repusemos as energias perdidas.

José Almeida

Vianatrilhos

Dados do percurso

Informação sobre os aspetos mais significativos:

Data2006-12-16
Distância total linear4 km
Nº de participantes35