2005-09-24 Trilho do Caminho dos Mortos

Esta actividade teve início junto à igreja de Merufe, no lugar do Mosteiro e contou com a presença de 12 participantes.

Do mosteiro há apenas o nome, já que D. João II o passou a reitoria (residencia paroquial) por não ter meios de sustento, dando-a então aos arcebispos de Braga. Desapareceu posteriormente, restando no interior da igreja a porta de comunicação interna com o desaparecido convento.

Começamos por descer a estrada alcatroada até ao frondoso largo da capela de S. dos Passos, local onde está marcado o início do trilho.

Este percurso é da responsabilidade dos Celtas do Minho e foi inaugurado e Março de 2004.

Passada a capela da Srª dos Remédios, subimos o vale do rio Sucrasto, na direcção de Portela de Alvito, aproveitando as pausas para observar os densos bosques e aqui e ali comer amoras silvestres e magníficas uvas morangas, de propriedades agrícolas semi-abandonadas, que bordejam o percurso, na proximidade dos lugares semi-desertos.

Uma paragem mais demorada no lugar de Arado para falar com a D. Lucinda, ainda na labuta diária, que nos explicou qual a origem do nome do percurso e que com os seus 80 anos, nos atestou a dureza e alegrias desses tempos.

O caminho era então usado amiúde pela população para levar os mortos do Lugar de Portela de Alvito até à Igreja de Merufe.

Hoje está tudo deserto, caminho degradado, campos abandonados, uvas abandonadas nas vinhas. Só há velhos no lugar, tendo a mais nova mais de 50 anos.

Depois de mais conversa com os que foram aparecendo, estranhando a presença de visitantes, continuamos a íngreme subida até à proximidade de Portela de Alvito. Tendo inflectido à esquerda, continuamos a subida depois de cruzar a estrada que liga Arcos de Valdevez a Longos Vales, passando por Bouças, atingimos uma mata de cedros, onde fizemos a nossa frugal pausa de almoço.

Depois de curto descanso continuamos na direcção do ponto mais alto – Cotinho – 649m , passndo por uma mamoa, semi descoberta. Iniciamos então a forte descida para Merufe, sempre seguindo o trilho marcado.

Caminhando na direcção da Châ de Fiãis, observamos a curiosa construção de muros que, com a sua robustez ,se mantêm até hoje, testemunho dos seus esforçados construtores, vedando os abandonados terrenos agrícolas.

Na descida, já perto de Cernadas, onde atravessamos de novo a EN, fomos provando as uvas tintas e morangas, que nos foram adoçando o palato.

A descida terminou no largo da Capela do Sr. dos Passos, tendo por fim subido até à igreja de Merufe, onde terminamos.

No regresso passamos ainda pelo mosteiro de São João dos Longos Vales, erguido num vale fértil e verdejante, com a sua igreja românica do século XII, rodeada de castanheiros, que exibe estranhas figuras esculpidas, como serpentes e símios, nos capiteis exteriores.

José Almeida

Amigos da Chão

Dados do percurso

Informação sobre os aspetos mais significativos:

Data2005-09-24
Tempo de deslocação04h 52m
Tempo parado02h 13m
Deslocação média 3,2 Km/h
Média Geral2,2 Km/h
Distância total linear15.8 km
Nº de participantes12