2000-08-28 Romeiros a S. João D'Arga

Esta iniciativa tem como objectivo fazer reviver de certa forma a Romaria de S. João d'Arga, caminhando ao encontro do local da festa, através do trilho que parte da aldeia de Montaria, passando pelo viveiro florestal, encosta da Branca, Chã do Guindeiro, Ribeiro de S. João, atingindo-se a Fonte da Telha, já bem perto do Convento de S. João d'Arga.

"É assim que anualmente, de 28 para 29 de Agosto, ocorrem de todo o lado romeiros dispostos a passar uma noite inesquecível. No coração trazem a fé e a folia, nas mãos carregam as oferendas com que "compram" as boas graças do Santo.

Na romaria de S. João d'Arga também não se esquecem as dádivas ao "Senhos Diabo", não vá o infortúnio bater à porta. "Pedir ao Senhor com um olho no Diabo", é assim a noite da romaria"

Deixa correr o tempo, desfruta da natureza, vivendo a romaria de S. João d'Arga.

Miguel Moreira

Amigos da Chão


Já viveu a inconfundível noite de 28 para 29 de Agosto?

Sobre a devoção de S. João D’Arga, conhecemos dois casos concretos: o de um proprietário que vendo o interesse de dois jornaleiros pele ida à romaria anual (28 e 29 de Agosto) teve como resposta - « Imos pedir melhoras para os males do reumatismo ». « Ora, ora – retorquiu o patrão – se curasse o meu mandava lá uma libra todos os anos ». No ano seguinte foi à romaria cumprir a promessa dado que o mal se debelara.

Fê-lo até 1966, ano em que faleceu. O outro: declarou-nos o então regente da banda de música de Ponte de Lima, sr. Gualdino Pinheiro, que sofrendo de um mal no aparelho digestivo e implorando a protecção de S. João, sentiu melhoras – logo ao transpor o adro.

Diz a tradição que quem se colocar a meio do pórtico do templo voltado para o «Alto da Coroa» - o topo do morro – aparece uma cabeça de cavalo, e que perto estará uma peça de ouro.

Na festa de S. João D’Arga é usual o «sarapatel», especialidade culinária à base de miúdos, tripas e bucho de cabrito.

São tantos os apreciadores que fica encomendado de um ano para o outro. Os romeiros cobriam grande distância a pé – sete montanhas – e levavam um quarto de sal à cabeça. Aqui, a devoção é enorme. O lado profano tem o seu momento : vale a pene viver a inconfundível noite de 28 para 29 de Agosto.


Convento de S.João D’Arga

Atingida meia etapa deste nosso percurso, surge como de um romance de Humberto Eco – o Convento de S. João D’Arga. A data da fundação deste mosteiro ainda é incerta, contudo o padre Carvalho da Costa afirma que eremitério foi mandado construir por S. Frutuoso, bispo de Braga, no reinado de Sisebuto, tendo finalizado no ano de 661, pois esta data encontrou-se escrita numa padieira da igreja.

A primeira referência histórica a este mosteiro, surge-nos nas Inquirições de 1258, em que se diz que "el Rey nom e padrom". No entanto, nas igrejas do Padroado Real (Inquirição de D. Dinis, em 1282), diz-se o contrário: "Monasterium de Sancto Johanne d’Arga, est regis", ou seja, o Mosteiro de S.João D’Arga é pertença do Rei. O mosteiro de S. João D’Arga, surge-nos entre as igrejas do bispado de Tui, em território português, onde D. Dinis ordenou o pagamento de uma taxa, tendo sida atribuída uma taxa de 100 libras a este mosteiro, quantidade bastante elevada se a compararmos com outras igrejas, actualmente muito mais importantes.

Apesar de em 1364, ainda tivesse monges, começou a decair, até que no reinado de D. Manuel II, quando foi concedido à Ordem de Cristo, com o rendimento de 37 ducados, em 1515, já se encontrava totalmente abandonado. No Censual de D. Fr.Baltasar Limpo o mosteiro é mencionado, declarando que outrora era do Rei e agora estava na posse do marquês de Vila Real.

Não se sabe ao certo quando o mosteiro deixou de existir como tal, passando a reitoria, cuja sede se fixou em Felgueiras, actualmente um lugar da freguesia de Arga de S. João, por motivo de que a igreja do mosteiro se encontrava descentrada da povoação. Os Inquéritos Paroquiais de 1758 separam a freguesia do mosteiro.


Montaria

Robustez, demografia e cultura da população masculina no 1º.terço do século XIX. A actual freguesia de S. Lourenço da Montaria (já assim designada no principio do século XVI denominava-se, em 1258 "parrochia Sancti Laurentii de Breteedelos". No mesmo na, o foral de Viana refere a "Montaria" comop região que a fronteira do termo aparta da Arga ("per ubi dividit Montaria cum Arga").

Montaria aparece, portanto, como a vertente sul e sudoeste da Serra de Arga e por isso corresponde ás actuais freguesias do Amonde, S. Lourenço e Vilar de Murteda. O nome deve-se ao foro de "montaria" (anual, em caça grossa) a que os respectivos moradores estavam obrigados. Até por isso, aliás, em 1258 os vizinhos destas três freguesias "des que el Rey pasar per Bracara e quiser correr monte, se mandar polos omees desta collatione, vam pora ele cum ascunas et. Cam caes et cum cornus, et fazem li servicio quanto le prouguer, des agua de Limia ataes Minio".

Alberto Antunes de Abreu


Serra d'Arga

Com suas lendas, penedos de virgindade e espólio arqueológico è zona de grande interesse

Os montes, em sucessão levantam-se entre os rios Lima e Minho. É a Serra D’Arga, componente do maciço que parte dos Pireneus e avança por Astúrias e Galiza, numa sucessão continua de montanhas cortadas por ribeiras o rios. A Serra D’Arga guarda muitos segredos que há mais de 2500 anos vai deixando desvendar. Não obstante, ainda vai reservando muitas surpresas.

À cerca de uma vintena de quilómetros do litoral, entre os rios Minho e Lima, eleva-se esta majestosa mole granítica (816m).

A lenda de Santo Aginha, a devoção a S. João D’Arga e o Santo do Chocalho – relacionado, julga-se, com a presença de leprosos nesta região – constituem aspectos marcantes. Aginha, era o salteador com a cabeça a prémio, regenerado pelas lúcidas palavras do frade que queria assassinar. Morto pelo aldeão que socorrera em momento difícil, na calçada do Outeiro, em plena serra, foi o seu corpo encontrado, semanas depois, sem se decompor. O receio do povo por aquele homem-fera virou à devoção. A sua imagem venera-se na paroquial de Arga de S. João, na tribuna, do lado da Epistola (no frontispício vê-se a data de 1720).


Lenda da Serra D’Arga

Foi numa manhã de Primavera, quando o Egica e a Eulália fugiram a cavalo para longe de Ervígio, pai de Eulália e rei visigodo em Espanha, pois este queria que a sua filha casasse com Ramismundo, um guerreiro temido. Os dois fugitivos foram Ter ao Monte Medúlio, nome dado pelos romanos à Serra D’Arga, ao Mosteiro Máximo, onde chegaram já com os últimos raios de sol a desaparecerem no horizonte. Aí foram recebidos por um velho amigo do pai de Egica, que, após uma breve meditação, os casou secretamente. No dia seguinte, mandou-os à presença de uma dama que vivia num castelo próximo e prometeu enviar um mensageiro a Ervígio, anunciando-lhe que tinha feito o casamento entre Egica e sua filha, para ver qual era a sua reacção.

Passados alguns tempos, o monge foi ao castelo dar ao casal a resposta de Ervígio, o qual lhes perdoaria e os receberia se, dentro de um ano, lhe dessem um filho varão, nomeando Egica, seu sucessor.

Porém, antes de partirem, baptizaram a Serra, que então acharam maravilhosa, com o nome de Serra D’Arga, porque Eulália achava-a parecida com uma enorme agra, isto é, um grande campo fértil e cultivado.

Dados do percurso

Informação sobre os aspetos mais significativos:

Data2000-08-28
Distância total17 km
Nº de participantes104