1999-06-19 Percurso Mistério à Serra d'Arga

Este percurso, ultimo desta época, terá o seu inicio e fim no centro da aldeia da Montaria, local em que se poderá descobrir urna enorme riqueza etnográfica com alguns restos de comunitarismo não devendo deixar de visitar a sua igreja paroquial, corri admirável talha, azulejaria alfaia liturgica e o presépio de Machado de Castro.

No exterior acerte a hora pelo relógio de sol existente ria torre da igreja. Não deixe ainda de ver os "Massadoiros do linho" no largo da aldeia.

Prontos para partir, apenas lhe diremos que o percurso será surpresa, enunciando unicamente alguns dos locais de passagem:

Encosta do Curral, Fonte Cavada, Porta (Ia Vila, Alto do Corisco Outeiro do 1 Homem Chão (Ias Sizedas Fonte da Urze, Alto da Portela Regueiro da Fisga, Chã do Guindeiro Ribeiro de S.João, S. João D'Arga (convento), Fonte Alta, Porrilhão Outeiro das Cabras, Encosta da Branca, Viveiro Florestal, aldeia de Montaria.

No final e para celebrar o término dos percursos efectuados ao longo da época, haverá um convívio rio café Montariense, esperando a participação de todos, ajudando a enraizar ainda mais o espírito de grupo, e revivendo situações ao longo dos percursos realizados.

Miguel Moreira

Inatel


ARGA

Serra da província do Minho a pouca distância do rio Lima, que separa os concelhos de Viana do Castelo, Ponte do Lima e Paredes de Coura. No geral é de constituição granítica; o xisto, porém, forma alguns dos contrafortes orientais. Dos seus contrafortes, pelo Sul, nascente e poente, sobressai vivamente a lomba maior, com mais de 600 metros de altitude. No alto de serra, que pode escalar-se tanto pela portela do Cavalinho, a Oriente, como pelo povo do Cerquido (para quem parta do Sul e Oriente), desdobram-se três vastas chãs a de S. João, a de Cezeda, a Grande ou da Bica. Desta amplíssima agra (da qual procederá o nome da serra, corrompido na prosódia) desfruta-se magnífico panorama.

Pululavam outrora os lobos na Arga; das frequentes monteadas perdura memória na freguesia de S. Lourenço da Montaria. A arborização é minguada; porém, nos lugares povoados encontram-se carvalheiras, sobreiros, pinheiros e azinheiros.

Não falhou aqui a população pré-histórica, do qual subsistem algumas lendas. Estas e vários achados moveram D. Rodrigo de Moura Teles, arcebispo de Braga (1704-28), a mandar efectuar pesquisas locais, que foram baldadas. Um dos contrafortes, o mais próximo do rio Lima, tem o nome de Castelo da Formiga; nele alguns vestígios restam de fortificação castrense.

No sentido oposto, em atalaia, fronteiro ao mar, ergue-se outro. O monte do Facho, do qual uma encosta se chama Ladeiro, por efeito das ladainhas cantadas aí pela irmandade dos clamores.

De entre as lendas poéticas da serra cabe distinguir a de Santo Aginha. Vida de salteador e ladrão passava nela um homem desconhecido. Certo monge do Mosteiro Máximo conseguiu convertê-lo, depois de aquele pretender mata-lo. Como penitência impôs-lhe o encargo de socorrer os viandantes nas dificuldades da travessia da serra. Ferventemente o cumpria. Um lavrador, ignorando tal conversão e temendo a sua maldade, à sachola o matou, num dia em que ele o ajudava a endireitar um carro de mato, e numa brecha escondeu o cadáver. Tempos depois acharam-no incorrupto. Como caso de milagre se julgou o acontecimento e logo correu a voz de santo santo asinha (asinha=depressa), por tão breve passar de ladrão a santo. Asinha transformou-se depois em Oginha. Sobre o seu túmulo foi construída uma capela votiva. Há todavia, quem atribua esse nome à corrupção de Santa Eugénia, orago da igreja duma velha freguesia. A dita lenda fomentou a expressão popular: Quem no vê, parece um santóginha (sujeito pacato, humilde, embora patife).

Onde hoje fica a popular capelinha chamada de S. João de Arga houve o chamado Mosteiro Máximo de beneditinos o qual no séc. XVI, já despovoado, passou a abadia secular e se converteu em reitoria no padroado dos marqueses de Vila Real. As notícias deste convento são muito vagas, nebulosas. A tradição põe no séc. VII a sua fundação. Na chá dum dos montes xistosos, entre o dorso da Arga e o castelo da Formiga, subsiste a capela de Santa Justa, à qual, em 19 de Julho, concorre muito povo em romaria, inclusive da Galiza. Como advogada da esterilidade feminina, oferecem-lhe principalmente frangos e frangas brancos.

Os romanos parece que chamavam a esta serra Monte Medulio, e segundo alguns autores, aqui se levantava a cidade de Benis.

Os textos apresentados foram recolhidos em obras diversas

Dados do percurso

Informação sobre os aspetos mais significativos:

Data1999-06-19
Distância total20 km
Nº de participantes51