2019-10-12 Rota de Boivão

Às 09:15 abalamos da Igreja Matriz de Boivão, situada bem no centro de Boivão, freguesia do mesmo nome do concelho de Valença que atravessamos pela Av. Do Boucelo, tomando de seguida um caminho rural através dos campos e zonas florestais na direção do lugar de Retorta.

O tempo estava bom, com o sol a subir no horizonte, poucas nuvens, antecipando um tempo excelente para esta nossa jornada por terras limítrofes dos concelhos de Valença e Monção.

Nesse trajeto, uma referência à “Zona de Lazer dos Amigos da Floresta” já na freguesia de Pias, concelho de Monção, onde surge o primeiro moinho e sua levada, quase irreconhecível pela densa vegetação. Cruzamos de seguida a ponte sobre o ribeiro dos Cavaleiros, tendo chegado pouco depois ao pequeno largo de Retorta, onde fizemos curta pausa para reagrupar junto das alminhas.

Daí para a frente a paisagem alterou-se bastante, tendo cruzado diversos caminhos de serventia florestal até deixar a freguesia de Pias e entrar na de Barroças / Taias.

Mudamos de freguesia e mudamos de velocidade, tendo engrenado uma redutora baixa, já que começamos a forte subida para a Penha da Rainha que, para além da forte inclinação do terreno, era também muito traiçoeira.

O arenito grosseiro do estreito carreiro esbroava com facilidade debaixo das nossas solas, impedindo uma progressão segura, o que complicava ainda mais a forte e prolongada subida até ao primeiro planalto, onde fizemos uma pausa para retemperar as energias perdidas e meter qualquer coisa à boca. Surgiram muitas vozes críticas sobre a anunciada classificação de moderada… que era afinal muito difícil… que assim não vinham mais… que mais valia ter ido por outro caminho! Mas, depois de descansar um pouco e apreciar a paisagem circundante com o alto de São Martinho ou Penha da Rainha a dominar a paisagem, lá se convenceram que afinal não tinha sido nada de mais, pelo que era tempo de continuar serra acima.

Chegamos finalmente ao largo da “Área de Lazer da Penha da Rainha” no extremo da freguesia de Abedim, concelho de Monção, onde decidimos subir a enorme mole granítica, com gigantescos penedos caoticamente encavalitados uns nos outros. A subida está bem delimitada e facilitada com um corrimão cravado nas rochas e subimos a ingreme escadaria até à pequenina capela de S. Martinho, escondida no meio de enormes pedregulhos que a protegem da inclemência dos elementos.

A ação dos agentes atmosféricos sobre as rochas graníticas, em conjugação com as fraturas que vão aparecendo, originaram uma paisagem típica destas regiões, tomando os penedos por vezes formas muito curiosas.

Mais um esforço para trepar as escadas cravadas na rocha e subimos até ao topo do afloramento rochoso para observar toda a paisagem circundante e também as “pias”, formações esculpidas no topo dos penedos, que teriam tido serventia na recolha da água das chuvas. O vento soprava forte e após curta observação e mais umas fotos regressamos à capela, onde nos esperavam os que se baldaram à derradeira subida.

Aqui teria existido um importante forte militar, integrado na linha de fortificações fronteiriças, que acabaram por perder importância estratégica, sendo assim abandonadas. As paliçadas desapareceram com o tempo e as pedras foram reutilizadas noutras paragens.

Ainda procuramos vestígios da construção do dito “Castelo da Penha” mas não vimos quaisquer vestígios da construção militar que aqui existiu. Da ermida, sagrada pelo bispo de Tui D. Pedro I em Junho de 1204, também nada resta, tendo sido construída a atual capela de S. Martinho no mesmo local da primitiva, já no Séc. XVIII ou XIX.

Havia quem já quisesse almoçar no parque de merendas, mas como era ainda muito cedo decidimos deixar o alto Castelo São Martinho ou da Penha da Rainha e continuar para o lugar de Grandachão onde paramos junto a umas alminhas em que figura a curiosa inscrição “A vós que passais lembrai-vos de Nós”. Aproveitamos para reabastecer de água e seguimos pelo planalto na direção do Castelo das Furnas.

Cruzamos entretanto o “ribeiro dos Cortelhos” e após curta reorientação continuamos por terrenos varridos pelos fogos, agora arrasados pelas máquinas de rastos, para preparação de nova plantação florestal. À nossa volta, os enormes cabeços rochosos que emergem dispersos pela paisagem e as muitas explorações de granito ornamental que esventram os montes desfeando a paisagem.

Fomos entretanto massacrados pelas muitas reclamações sobre a demora para paragem do almoço, mas lá fomos andando até ao “Castelo da Furna” ou “Castelo de Fraião” onde finalmente fizemos a reclamada pausa.

Valeu a pena a espera, pois o local escolhido era de categoria; soalheiro, com infraestrutura de mesas e bancos de pedra, água corrente e protegido dos ventos fortes, pelo que foi com boas condições que fizemos o demorado repasto.

O Castelo de Fraião foi uma fortaleza Românica construída entre os penedos, aproveitando as estratégicas condições naturais. Grande parte da sua estrutura teria sido de madeira, o que o distinguia das restantes fortalezas românicas, pois as enormes rochas graníticas forneciam por si só boas condições de defesa, servindo as estruturas de madeira apenas como remate. Fraião foi sede de julgado e a sua administração e sede militar encontrava-se no alto das Furnas, onde se situava o Castelo de Fraião. Deixou de ser julgado quando D. Sebastião o mudou para S. Fins de Friestas, entregue aos Jesuítas.

Foi na base desse ciclópico aglomerado de penedos que fizemos a foto de grupo e a animada celebração dos aniversários dos companheiros Joaquim Abreu e Carlos Rocha “Cocas”. Foi um momento alto, cantado e regado com o que havia então disponível.

Depois foi descer a bom descer para Boivão. Pelo caminho, pudemos ver muitos do 17 moinhos que eram servidos pelas levadas do ribeiro da Fervença e que os diversos cursos de água de montanha alimentavam. Hoje em dia abandonados, são lembrança dos tempos em que era a força motriz das águas de montanha que ajudavam a moer o cereal que era produzido nestas terras raianas.

Hoje, nem terrenos cultivados, nem cereal, nem moinhos. Tudo se foi, ficando apenas os nomes e as memórias que se vão desvanecendo com o passar das gerações.

Fizemos uma breve passagem no núcleo de moinhos do Pego e das Mártires, ainda em razoável estado exterior, mas já com os engenhos desaparecidos ou destruídos. Uma pena que este património seja assim deixado ao abandono, quando seria fácil preservá-lo para o futuro.

Visitamos depois a igreja Matriz de Boivão, onde um grupo de simpáticas devotas fazia os arranjos florais do altar e santos. Tudo muito bonito e florido. No altar-mor, no lado do Evangelho, destinado ao padroeiro, está S. Tiago, estando S. Paulo no lado da epístola.

Cá fora esperava-nos uma surpresa, pois o aniversariante Joaquim Abreu montou uma banca defronte do cemitério, com bolo de aniversário, vinho e espumante para mais uma celebração entre todos. Mais cantoria para o “apaga as velas” com belos momentos de camaradagem que continuaram depois em Dém no Café Capela, em que o “Cocas” não quis ficar atrás e também nos brindou com outro bolo de aniversário, regado com espumante.

Foi um dia em cheio, em que visitamos duas penhas em dois concelhos, com dois castelos e brindamos a dois amigos aniversariantes em dois locais bem animados.

Até à próxima.

 

José Almeida
Vianatrilhos

Dados do percurso

Informação sobre os aspetos mais significativos:

Data2019-10-12
Hora de início09:14
Hora do fim16:01
Tempo total do percurso6h 47m
Velocidade média deslocação3,12 km/h
Distância total linear16,5 km
Distância total16,8 km
Nº de participantes27