2019-01-12 de Vilar de Mouros ao Monte Gois

Vilar de Mouros - Sopo - Lanhelas

Mais um ano findou. Novo ano, o mesmo objetivo – fazer passeios na natureza, usufruindo em grupo dos prazeres desta nossa atividade.

Se “As caminhadas em grupo ao ar livre são o melhor remédio para o stress e contribuem até para a promoção da saúde mental e para a prevenção e o tratamento da depressão”, retomamos a nossa terapia de grupo com um interessante percurso, que percorre caminhos e trilhos das freguesias de Vilar de Mouros e Lanhelas do concelho de Caminha e ainda pela freguesia de Sopo do concelho vizinho de Vila Nova de Cerveira.

Pelas 09:00 chegamos ao "Vilar" dos Mouros, referência ao povoado mouro que aqui existiu entre o séc. VIII e séc. IX, antes da reconquista, sendo a concentração defronte da capela de Santo Amaro, no largo onde se realizaram os célebres festivais internacionais de música de Vilar de Mouros, cuja origem remonta ao já distante ano de 1971, aquando as comemorações do IX centenário da doação de Vilar de Mouros à Sé de Tui.

Muitos de nós aqui marcaram presença, para viver “in loco” um inesquecível festival de música, considerado pela crítica nacional e internacional como o Woodstock português.

Bons tempos! Mas hoje a música era outra!

A manhã estava muito fria, com a geada a cobrir ambas as margens do Coura, que fumegava com a diferença de temperatura entre as águas e o ambiente matinal. Foi assim uma concentração rápida, já que havia que mexer os pés para aquecer.

Junto a nós o ex-libris de Vilar de Mouros, a sua imponente ponte românica de três arcos, que foi durante muitos anos o ponto mais importante de travessia do rio Coura, do antigo trajeto que ligava Caminha a Valença e à fronteira galega, antes da edificação das pontes rodoviárias e ferroviárias de Caminha.

Cruzamos a ponte para a margem direita do Coura e embrenhamo-nos no casario, subindo depois junto à margem, na direção da Azenha do Tio Luís, recentemente recuperada (2017) como alojamento turístico rural, onde os hóspedes podem desfrutar de uma encantadora e serena paisagem proporcionada pela envolvência das Azenhas, agora recuperadas.

É um local de exceção, com um açude a reter as calmas águas do Coura, junto da imponente azenha, muito procurado especialmente quando o tempo aquece, sendo um local perfeito para ir a banhos no meio de um cenário verdejante.

Tempo para umas fotos, com as águas do Coura a “fumegar” iluminadas pelos oblíquos raios dourados de sol matinal, desta fria e húmida manhã de inverno.

Deixamos para trás as margens do Coura, embrenhando-nos em caminhos rurais e depois em caminhos florestais, seguindo na direção do Monte Gois. Deixamos o município de Caminha e entramos na freguesia de Sopo do concelho de Paredes de Coura, contornando o monte a sul, para depois subir a bom subir para o estradão florestal que dá acesso ao ponto mais alto do percurso – o marco geodésico do Monte Gois, já na freguesia de Lanhelas, concelho de Caminha.

Foi uma subida relativamente curta, mas muito esforçada, que fez esquecer a baixa temperatura matinal, comprovando que nada melhor que uma boa subida para esquecer por completo o frio!

As vistas mereceram o esforço, mas os que foram a corta-mato até ao marco geodésico vizinho tardavam e o vento gélido voltou a obrigar a reforçar os agasalhos, dos que se abrigaram junto às edificações de telecomunicações existentes.

Depois de prolongada espera, finalmente iniciamos a descida, desta vez na direção a Lanhelas, passamos por cima do túnel da A28, para pouco depois fazer a pausa de almoço na Lage das Fogaças, um afloramento de grandes dimensões profusamente ornamentado com motivos zoomorfos, com características clássicas da Arte Atlântica.

Foi assim um almoço didático, já que decorreu num local em que o conhecido investigador Abel Viana, entre as décadas de vinte e de trinta do século XX, fez esta importante descoberta de gravuras da idade do bronze.

E foi nesse mesmo local que se celebraram mais 2 batismos, em que os companheiros Fernanda Carvalhido e Luís Felgueiras, que passaram a integrar a elite dos caminheiros do nosso grupo.

Retomado o percurso, um pouco adiante chegamos à Cruz da Independência de Lanhelas, que recorda o dia 23 de Abril de 1644 e a valentia dos lanhelenses na defesa da sua terra contra os invasores.

Este importante monumento foi erguido sobre as ruínas de um moinho de vento e celebra a data em que os locais se defenderam, com assinalável valentia, da investida espanhola, estando também associadas outras datas significativas, designadamente 1140, 1640 e 1940.

Este é o lugar perfeito para observar uma boa parte da freguesia de Lanhelas, com A Guarda (La Guardia) e o monte de Santa Trega (Santa Tecla) do lado galego do rio Minho, destacando-se do lado de cá as torres da Casa da Torre, solar do séc. XV que possui três torres de épocas distintas, conjugando elementos decorativos clássicos das casas renascentistas com elementos da arquitetura militar medieval, símbolos de nobreza e poder.

Depois da foto da praxe retomamos a nossa marcha e fomos cruzando a Chã dos Compadres, onde em pleno eucaliptal nos apareceu junto do estradão florestal… um barco!

Um barco? Um barco tão longe do rio, no meio de coisa nenhuma? Se não tivesse visto não acreditava, mas é verdade. Deve haver uma explicação, mas não nos ocorreu nenhuma, pelo que vai ficar por esclarecer.

Um pouco adiante tomamos o Caminho de Santiago da Costa, identificado com as costumeiras marcas amarelas que seguimos, para mais à frente deixar a freguesia de Lanhelas e regressar à de Vilar de Mouros junto à capela do Senhos dos Passos do século XVIII, também chamada de Igreja Nova, situada na entrada norte da aldeia.

Aí decidimos subir até à Srª do Crasto para observar a paisagem circundante, mas pouco se conseguia ver com a densa vegetação circundante da pequena capela, pelo que voltamos ao percurso original, seguindo por caminhos da aldeia de regresso à ponte de Vilar de Mouros.

O lavar dos cestos foi no café Capela de Dem, onde o champarrião e os petiscos locais ajudaram a retemperar energias, em boa camaradagem, fazendo até esquecer um morno Sporting – Porto, em que tudo ficou na mesma.
 
 

 

José Almeida
Vianatrilhos

Dados do percurso

Informação sobre os aspetos mais significativos:

Data 2019-01-12
Hora de início 09:12
Hora do fim 15:49
Tempo total do percurso 6h 34m
Velocidade média deslocação 3.2 km/h
Distância total linear 15.7 km
Distância total 15.9 km
Nº de participantes 36