1999-04-17 Por Trilhos e Brandas do Soajo

Este percurso terá o seu inicio na "Vila" do Soajo, bela aldeia de montanha.

Subindo no longo de uma calçada com alguns moinhos a bordeja-la, e em que a nossa vista se vai perder sobre a povoação do Soajo e pelas serres mais além, logo mais acinte passaremos pelas Brandas de Insuas, Lapas e Murça, local em que poderemos ver algumas "Cardenhas", que visitaremos.

Após passarmos um pequeno pontão sobre o "Ribeiro do Franco" caminharemos em direcção do vele do "Ribeiro de Adrão e' descendo através de uma calçada, atingiremos bem lá no fundo &"Branda de Trapela belo local, em que no som do murmúrio das suas águas descansaremos

Após paragem para o retemperar de energias, faremos o regresso ao passando por uma bela queda de água, caminhando através de una mata tendo ainda por companhia um cano de água que nos irá levar até à 'Vila". Aqui chegados e após passarmos pelo seu interior, poderemos visitar o núcleo de Espigueiros comunitários na "Eira do Penedo", e no "Largo do Eiró" o Pelourinho e em frente a Igreja de uma só nave.

No topo sudoeste poderemos ver ainda os antigos Pagos do Concelho e a antiga cadeia. Toda a "Vila" será de visitar admirando a reconstrução dos moradias. assim como os seus recantos.

 

Miguel Moreira

Inatel

Soajo uma "vila" de montanha

Diz-se que a estranha pedra triangular que encima o pelourinho do Soajo servia para pousar um pão quente quando aparecia algum indesejável: quando arrefecesse o intruso teria de ter desaparecido.

0 destino e a História deitaram sobre o velho pelourinho (século XVII) a sina da ironia. Entre filhos seus emigrados e turistas, a vila chega a ver num só dia mais estranhos que num dos seus anos antigos.

É um dos lugares obrigatórios de visita do PNPG.

Nascida da bruma da História numa varanda da serra do Soajo, ensopada de sol, foi concelho por foral de D. Manuel I de 7 Outubro de 1514, embora gozasse de benefícios régios desde muito cedo. Conta a tradição que D. Dinis isentara os seus habitantes de impostos e prestação de serviço militar.

Vai em pouco mais de meio século o fim deste privilégio, embora os soajeiros estivessem incumbidos de defender a Portela do Galo.

Tem relevo o episódio célebre do juiz Ramos de cuja existência alguns duvidam, mas em abono da qual apelam os velhos para o facto de existir uma família com o mesmo apelido.

Conta-se que, levado a julgar por homicídio um réu que sabia inocente, o juiz pronunciou a seguinte sentença: Morra, que não morra, dêsse-lhe um nó que não corra; ou degredado para toda a vida, com 100 anos para se preparar».

Diz-se ainda que o famoso juiz foi chamado à relação do Porto a explicar tão salomónica quanto bizarra sentença. Não lhe tendo sido facultada cadeira para tomar assento, sentou-se no chão acomodado sobre a toga de magistrado, a qual abandonou no sitio quando saiu da sala.

Interpelado sobre o «esquecimento», respondeu: «Cadeira em que o juiz de Soajo sentou nunca mais se levantou»

0 episódio calou fundo no coração rebelde dos soajeiros.

Façanha ainda não perdoada foi a extinção do concelho , por decreto de 17 de Fevereiro de 1852, que mantém o gérmen da restauração.

 

Pelourinho do Soajo

0 pelourinho do Soajo considerado monumento nacional por decreto de 16-6-1910, é um dos mais singelos e simultaneamente dos mais interessantes monumentos deste tipo do nosso país. Nele se aliam a elegância rude e de um traço delicado a despido de atavismos ornamentais à altivez carregada de simbolismo que nele expressou o materializou o poder comunalista ou municipalista.

Segundo descrição de Luís Chaves, «o pelourinho de Soajo é constituído por uma base em três degraus, hoje já um pouco retalhados pela erosão dos séculos, onde assenta em alçado vertical unia coluna cilíndrica de secção ovalada, sem base nem capitel, imperfeitamente sóbria e unicamente decorada por uma sorridente carranca antropomórfica que se alicia em alto-relevo, junto ao topo superior do fuste, perto da zona em que este curva em jeito de cone truncado, fecho que lho permite receber como remate a enigmática lago triangular que termina, algo bruscamente, este singelo monumento (século XVII).

 

A Serra e as suas Lendas

Em Adrão nas mangas dos vestidos do morto deitavam algumas sopas de vinho, e diziam, ao coloca-las, as seguintes palavras:"Se fores ao Jordão, bebe d'este vinho e come d'este pão".

Nesta serra, uma figura típica do Soajo - "0 Taxim" - foi protagonista de um espantoso caso de seriedade : levou para as montanhas o farnel de vários caçadores, dos quais se perdeu três dias, por efeito do denso nevoeiro. Pois, durante essas 72 longas horas, manteve o farnel -intacto, alimentando-se de frutos silvestres!

Quando havia pleno acordo da noiva e desacordo de seus pais, surgia a chamada "fugida". Processava-se desta forma:

Noivo e noiva combinavam a bom (geralmente à ceia) e o dia para a fuga. No momento aprazado, urna mulher honesta e de confiança dos dois, ia ao encontro da noiva. As duas muito em segredo, iam para casa de uma família séria, antecipadamente solicitada.

Quando os pais se apercebiam só lhes restava um dos dois caminhos: acabar por concordar e a filha regressava a casa para preparar os trâmites da cerimónia, ou continuar renitentes e, então, a moça, passados alguns dias, começava a sair do seu abrigo e tratava de casar-se, mesmo sem o assentimento dos pais, com o rodar dos tempos, acabavam por conformar-se...

 

Os textos apresentados foram recolhidos em obras diversas

Dados do percurso

Informação sobre os aspetos mais significativos:

Data1999-04-17
Distância total10 km
Nº de participantes37