2018-12-15 Trilho dos Miliários

Marcha de Natal

Cossourado - Sapardos - Rubiães

A previsão meteorológica para as terras de Coura era muito clara - chuva contínua para todo o dia, mas mesmo assim ás 08:00 lá comparecemos no Vitral, tendo sido levantada a questão de decidir o que fazer perante condições de tempo tão desfavoráveis.

Depois de prolongada troca de impressões, a decisão unânime foi a de seguir para Coussorado e aí decidir "in loco" o que fazer na parte da manhã, já que para a tarde estava já acertado o nosso lanche de Natal.

Chegados ao local, nova reunião junto da igreja paroquial de Santa Maria do Cossourado, tendo sido finalmente decidida a realização desta atividade, pese a chuva miúda contínua que continuava teimosamente a cair.

O primeiro ponto de paragem foi na Cividade do Cossourado, ponto mais elevado do percurso, onde se podem observar diversos vestígios arqueológicos. Esta  Cividade de Coussorado destaca-se de outros povoados da Idade do Ferro devido ao seu domínio sobre a paisagem envolvente e à sua dimensão.  É dotada de uma linha defensiva de três linhas de muralha e diversas vestígios habitacionais de planta circular, retangular e elíptica, onde foram descobertos diversos artefactos de bronze.

Mais abaixo, no lugar de Antas da freguesia de Rubiães pudemos observar um interessante conjunto de 5 marcos miliários, estando 3 deles bem á vista e os outros 2 a sustentar o travejamento da capela de S. Bartolomeu, fundada em 1592  por Lopo de Antas, família proprietária do imponente Solar das Antas, que teriam dado seu nome a este lugar.

A família Antas, depois ramificada com os Montenegro, instalou-se aqui no século XIV. O seu Paço é muito possivelmente de origem medieval, entretanto reedificado na última década do século XVIII, desenvolvendo-se em torno da torre original, também alvo de profundas alterações.

Depois de uma breve pausa no parque de merendas do carvalhal fronteiro, onde retemperamos forças abrigados da chuva que nunca nos largou, seguimos para sul na direção das margens do rio Coura, cruzando primeiro em campos de cultivo embrenhando-nos depois nos densos bosque ribeirinhos.

As margens dos rios são sempre traiçoeiras, pelo que o progresso foi lento, atrasado aqui e ali por uns tropeços e mesmo quedas, mais ou menos aparatosas.

Seguimos primeiro pela margem direita até à ponte dos Caniços que cruzamos, invertendo depois o sentido da marcha, subindo agora o Coura pela sua margem esquerda até... acabar o caminho!

Pois foi! O caminho sumiu-se, pois a ponte de madeira que atravessava um pequeno afluente do Coura pura e simplesmente desapareceu!

Que fazer? Para trás mija a burra! Pelo que a a única alternativa viável era continuar! Na falta da ponte o remédio foi atravessar a vau o ribeiro, pelo que toca a descalçar, arregaçar, ou mesmo tirar as calças e cruzar a torrente com cuidado, para não tropeçar no leito de seixos rolados.

Foi um espetáculo! Houve quem tentasse encontrar um local melhor mais a montante, mas não havia mesmo alternativa, pelo que um a um os valentes caminheiros despojaram-se das botas e meias e molharam os delicados pezinhos na torrente do ribeiro que nos impedia a progressão.

A aventura deu em belos momentos fotográficos para documentar que estes intrépidos caminheiros até descalços e dentro de água continuam na trilha prevista!

Pés secos e botas calçadas, havia agora que continuar adiante, na direção da igreja de São Pedro de Rubiães, bem nossa conhecida dos percursos a Santiago de Compostela.

Entretanto a chuva ia engrossando, pelo que havia que encurtar o percurso, evitando o desvio de ida e volta à igreja, optando por seguir em frente para o lugar de Castro, onde cruzamos de novo o rio Coura para a sua margem direita na ponte velha romana de Rubiães.

Esta ponte faz parte do Caminho de Santiago, sendo muitos os que afirmam que remonta à era romana, já que está na IV via militar que ligava Bracara Augusta a Asturica Augusta, outros consideram tratar-se de uma obra medieval bem posterior, face aos traços arquitetónicos apresentados.

A versão mais correta talvez seja a de que uma foi construída sobre as ruínas da outra, mantendo-se em boas condições até aos nossos dias, servido as populações rurais até à construção da Ponte Nova, mais a montante.

Seguimos depois o Caminho Português de Santiago de Compostela, no troço que liga Rubiães a Valença, cruzamos a EN 201 junto a um café, mantivemo-nos junto ao rio Coura num troço de especial beleza, pelas muitas quedas de água e açudes, até que o deixamos para trás e seguimos paralelos à EN 201 até à proximidade de Cossourado, regressando ao local de partida pelo escadório fronteiro à igreja paroquial.

Finalmente chegamos, completamente encharcados da chuva e do ressoamento dos impermeáveis, pelo que havia que mudar de roupa e botas antes de dar início à segunda parte do programa, prevista para Cepões no restaurante Casa Carneiro. Como não havia onde fazer as mudas, foi a estrada que serviu de balneário, perante o espanto dos passantes que estranharam estes preparos.

Se até aí eramos 21, para o lanche o "quórum" passou a 38! Ou seja, houve um número significativo de amigos quem se baldaram às inclemências do tempo, mas para os "comes" estiveram completamente disponíveis.

Reunidos os confrades, foi em belo ambiente natalício que decorreu a degustação de um bacalhau de cebolada mais uns secretos de porco preto com arroz de feijão, seguida de doce e vinho à descrição.

Coube ao grupo Vianatrilhos rematar com a oferta do tradicional bolo rei e espumante, que abrilhantaram o brinde natalício final dos muito animados convivas.

Bom Natal e Feliz Ano Novo a todos!

 

José Almeida
Vianatrilhos

Dados do percurso

Informação sobre os aspetos mais significativos:

Data 2018-12-15
Hora de início 09:15
Hora do fim 14:13
Tempo total do percurso 4h 57m
Velocidade média deslocação 3.2 km/h
Distância total linear 13.38 km
Distância total 13.66 km
Nº de participantes 21