2018-10-13 de Ponte de Sains à Srª das Neves

Ponte Sains - Srª das Neves - Minas Azevedo - 7 Caminhos - Vila Verde - Rio Âncora

Desta vez o S. Pedro esteve do nosso lado, brindando-nos com um dia magnífico.

Após comparência de todos os inscritos, rumamos à Ponte de Saim colocada sobre o rio Âncora, em tempos idos local dos célebres “Batizados da Meia-Noite”.

Cerca das 09H15 começamos a caminhar subindo ao longo de um estradão florestal utilizado pelo Rally de Portugal. As conversas foram-se pondo em dia e perto da zona do Couto Mineiro de Gondar cruzamos com uma enorme matilha de cães de montaria ao javali com o seu guardador, alguns de raças consideradas perigosas, mas que se mostraram bastante amigáveis com as festas de alguns, havendo até dificuldade para que retomassem ao seu guardador.

Mais acima e já com panorâmicas para o vale de Gondar e toda a magnitude da Serra D’Arga, continuamos subindo até à Chã da Peneda local em que se fez um ligeiro reabastecimento. Continuando, cerca das 11H15, atingimos a pequena ermida da Sra. Das Neves, situada no cume da serra, por cima das freguesias de Argela e Venade pelo lado Poente e, pelo lado oposto, por cima da freguesia de Gondar, maravilhoso miradoiro de 360º, oferecendo um panorama deslumbrante sobre o vale dos rios Coura e Minho e a sua foz no Atlântico, serras de Arga, Santa Luzia, Amonde e Aguieira, e terras Galegas com o imponente Monte de Santa Tecla.

Retomando o percurso em direção a Norte, visitamos um antigo campo mineiro não muito longe da Srª das Neves, continuamos passando junto ao Alto da Pardinha.

Descendo já, atingimos um estradão onde invertemos o sentido da marcha. A breve trecho demos pela falta de 4 companheiros que se haviam enganado no caminho, mas após breves contactos tudo se resolveu.

Junto a um marco na zona de Gramelas, abandonamos o estradão e descemos por um ingreme corta-fogo e um estreito carreiro, até ao fundo do vale do ribeiro de Raibo que mais abaixo se chamará Tinto que desaguar no rio Coura. Após breve conversa e sugestão, abandonamos o percurso delineado e fomos ao encontro de 2 antigas minas de Volfrâmio em galeria, instaladas mesmo junto ao curso do ribeiro, as quais visitamos, e onde se fez o almoço.

Retomado o percurso, seguimos um estreito carreiro até atingirmos o local dos “7 caminhos” e, daqui por entre o casario o lugar de Vila Verde, que pertence á Freguesia de Riba de Âncora. Visitamos o pequeno núcleo dos moinhos D `Apardal e logo à frente o edifício do Forno Comunitário de Riba de Âncora. Na altura decorria um almoço de uma associação, onde estava presente o Presidente da Câmara de Caminha Miguel Dantas, que após breve troca de palavras nos convidou a entrar para visitar o local.

Já na companhia do Presidente da junta de Freguesia local resolveu oferecer-nos uns aperitivos. Logo foram montadas mesas com toalhas de pano, onde foram colocados vários aperitivos e bebidas. A conversa e o bom ambiente gerou um espontâneo convívio onde não faltou o arroz doce da zona, as “Sopas de Burro Cansado” (Sopa de Vinho) feitas pela D. Estela, esposa do Presidente de Junta Sr. Paulo Alvarenga.

Ficámos também a saber que o espaço se encontra disponível para uma possível realização que se queira levar a efeito, sendo que as condições são excelentes.

Foi com certa dificuldade que deixamos este espaço pois que a conversa estava animada. Passamos ainda pelo centro do lugar onde visitamos a pequena capela de S. Miguel com recente restauro do seu altar realizado por Rego Meira, irmão do companheiro Manuel Rego, mas tal não foi possível por a mesma se encontrar fechada.

Daqui seguimos novamente por entre o casario do lugar, passando ao lado da Torre de Vigia do Alto da Vela e, abandonando o casario seguimos um trilho até atingirmos a estrada de alcatrão que vinda de Âncora leva á Ponte de Saim. Cruzamos a mesma e embrenhamo-nos junto ao Rio Âncora, subindo-o por um carreiro de pescadores, passando pela foz do ribeiro de Paradela vindo de Outeiro, e logo atingimos a Ponte de Saim onde havíamos começado este percurso.

Tempo ainda para as últimas conversas e respetiva despedida, não sem deixar de passar num bar da Meadela para uma última bebida.

No final ficou a sensação de um dia bem passado!

Até à próxima.

 

Miguel Moreira
Vianatrilhos

Lenda da Nossa Senhora das Neves

Há muito tempo, vivia nas fraldas da Serra D'Arga, no Local onde hoje está a capela da Senhora da Serra, um pobre monge, metido na toca de um sobreiro velho, fazendo penitência e rezando pelos pecados do mundo. Toda a sua atenção ia para Deus, prometendo grandes privações ao corpo, na comida e na bebida.

Vivia o santo do frade sozinho, tendo como única companhia uma pequena imagem de Nossa Senhora, que carregara consigo do convento de onde viera.

Todos os dias o frade confidenciava com a Virgem os seus pensamentos e as suas orações.

Havia-a colocado num altar improvisado, dentro da cavidade onde morava, para melhor a homenagear e louvar, confiando na sua intercessão para conseguir a purificação total para si, e a salvação para os homens.

Ora aconteceu que um dia, no maior pico do verão, no més de Agosto, o frade sentiu uma sede terrível que lhe afogueava a garganta. Bem queria o pobre do frade aguentar a sede, dando assim testemunho da capacidade de sofrimento e de penitência com que queria presentear continuamente a Virgem e seu bendito filho.

Mas era de tal forma quente o dia, que resolveu suspender a dura penitência, para ir ali perto, junto de uma fonte bem fresca, apagar a secura que lhe afligia a garganta.

Quando regressou ao seu poiso, notou com extrema surpresa, que a Virgem já la não estava!
Entristecido e aflito, pensou logo que a Virgem o tinha abandonado, por não ter resistido à sede.

Ajoelhou-se com o rosto por terra e suplicou à Senhora:

- Ó Virgem. Santa Mãe de Deus! Perdoai a minha falta de sacrifício! Por amor do vosso Santo Filho, meu Salvador, não me abandones!

Nisto, ouviu um grande estrondo! Temeroso do poder de Deus, tapou o rosto com as mãos, até que o silêncio voltou. Levantou lentamente a cabeça e olhou então para o alto. O sobreiro estava desfeito e envolto em brancura! Era a imagem da Virgem rodeada de neve, fitando-o com extrema doçura! E se aquele era um dia esbraseado de Agosto, logo se transformou em dia fresco e acolhedor, que nem a mais suave Primavera.

Vendo tão grande milagre, pegou o frade na imagem da Senhora, e aí lhe construiu um lindo nicho de pedra para a colocar.

A partir daquele dia começou a chamar-lhe Nossa Senhora das Neves!
 

Lendas do Vale do Minho
Junta de freguesia de Dem

Dados do percurso

Informação sobre os aspetos mais significativos:

Data 2018-10-13
Hora de início 09:03
Hora do fim 17:36
Tempo total do percurso 8h 33m
Velocidade média deslocação 3.00 km/h
Distância total linear 18.5 km
Distância total 18.7 km
Nº de participantes 23