2018-09-22 - Trilho das Garças

Praia de Taboão - Formariz - Penices - Irijó

Para retomar as atividades depois do descanso do verão escolhemos Paredes de Coura - Trilho das Garças, já que se trata de um percurso bem nosso conhecido, que decorre ao longo das margens do Coura, com sombras frondosas e dificuldade moderada.

Ao contrário do que é proposto pela Câmara Municipal de Coura, responsável pela marcação do percurso, optamos por começar na Praia Fluvial de Taboão, na freguesia de Formariz, nas imediações de vila de Paredes de Coura, onde anualmente decorre um dos festivais de verão mais antigos, que ganhou uma reputação invejável, não só por nos trazer grandes artistas internacionais, mas também por divulgar novos e promissores artistas.

Segundo alguns o nome desta idílica praia fluvial é derivado da “grande tábua” que lá teria existido para os mergulhos nas sua cristalinas águas.

Um belo local para descanso de que não usufruímos, pois era tempo de abalar encosta acima ao lugar de Afe, da freguesia de Moselos, continuando de seguida por caminhos florestais para a freguesia de Formariz, onde fizemos a pausa de reabastecimento no lugar do Burgo, mesmo junto do cemitério da igreja paroquial.

O calor fazia-se sentir cada vez mais, pois este final de Setembro teima em apresentar temperaturas que fazem inveja aos mais quentes dias de verão, pelo que aproveitamos uma zona de sombra para repor energias e reabastecer de água no fontanário.

Seguimos depois para o lugar da Boavista, onde fizemos um desvio e descemos até ao rio Coura para observar de perto o local em que o rio “desaparece” misteriosamente, para reaparecer 200m mais à frente no meio das rochas. É uma particularidade interessante esta de o rio desaparecer no meio de enormes pedregulhos graníticos e seguir escondido dos nossos olhares até um nível inferior, onde “renasce” mais calmo e se espraia um pouco, no seu acidentado percurso para a foz, que reparte com o Minho, já na vila de Caminha.

É nesse troço de rio que se invoca a “lenda do penedo do frade”, pois é aqui que se teria sido enterrado um frade, mesmo por baixo destes enormes penedos que agora magicamente escondem o rio e o seu túmulo.

Depois de umas fotos seguimos para nascente até ao viveiro de trutas de Penices / Penizes, a maior e mais antiga exploração piscícola do nosso país, encaixada nas ingremes arribas do Coura, onde se produz em escala industrial a truta Arco-Íris, originária da América do Sul.

Regressados ao lugar da Boavista, seguimos pelos lugares de Couro, Balsa, Pereiros e Infesta, tendo neste trajeto apreciado a paisagem e o habitat de diversas aves ribeirinhas, destacando-se a Garça-Real (Ardea cinerea) que ainda conseguimos ver a esvoaçar com a nossa aproximação.

Um pouco mais à frente, ainda na margem direita do Coura, visitamos uma azenha de múltiplos engenhos, designada de “Moinho do Cravo”. Foi esse o cenário escolhido para a pausa de almoço, que se prolongou significativamente, pois o fresco da água corrente do rio e uma bendita sombra propiciavam o descanso e até alguma meditação mais ou menos sonora.

Mas era hora de partir, pelo que deixamos Infesta e continuamos pelos lugares de Balsa e Pereiros até fazer nova paragem na frondosa carvalheira do Monte de Irijó onde se situa o santuário dedicada a Nª Srª da Purificação e Santo Amaro.

Foi esse o palco escolhido para a tradicional foto de grupo e os tradicionais batizados dos caloiros caminheiros, que se nos juntaram pela primeira vez nestas andanças.

Um momento alto para a Lisa Olo, António Cunha, Ana Abreu, Carlos Abreu, Anabela Costa, Elisabete Pinto, Conceição Alves e Amélia Sousa, já que mereceram a elevada distinção de passar a integrar a elite de “Caminheiros da Vianatrilhos”, após a solene cerimónia batismal.

Depois da cantoria e bebido o líquido batismal, era tempo de seguir o caminho florestal que nos levou até ao lugar de Sequeirô, nos arrabaldes de Paredes de Coura, pelo que a parte final foi já em terreno urbano, tendo seguido pelo lugar de Cabanela até à Praia Fluvial do Taboão.

Terminou aqui mais esta caminhada por estas belas terras de Paredes de Coura, terra de paisagens verdadeiramente exuberantes, de uma riqueza inestimável e património único que urge preservar para os vindouros.

O fim de festa foi com um petisco no 27.

 

José Almeida
Vianatrilhos

Tem pena, meu bem tem pena,
Tem pena do meu penar,
Tem pena meu bem tem pena,
Das águas que vão para o mar.
 
Adeus, adeus rio Coura
Que vais correndo p’ró mar,
Tuas águas cristalinas,
As trutas a saltitar.
 
De inverno sobes ao alto,
Para ver as namoradas,
Depois segues teu destino
Até às águas salgadas.
 
Adeus, adeus rio Coura
As costas te vou virando,
A boca cheia de beijos,
Os olhos ficam chorando.”
 
Alfredo Marinho

As lavradeiras de Formariz

Dados do percurso

Informação sobre os aspetos mais significativos:

Data 2018-09-22
Hora de início 09:15
Hora do fim 16:12
Tempo total do percurso 6h 56m
Velocidade média deslocação 4.03 km/h
Distância total linear 15.8 km
Distância total 15.9 km
Nº de participantes 35