2018-06-16 - Trilho dos mineiros

Venade - Azevedo

O início foi defronte da capela do Sr. Do Socorro, junto do Jardim de Venade, pertencente à atual União de Freguesias de Venade e Azevedo.

Seguimos pela Rua da Covinha e Rua do Corucho, entrando na mancha florestal que fomos subindo, deixando para trás Venade e entrando na antiga freguesia de Azevedo, continuamos até um interessante caneiro de captação de água que fomos bordejando até à sua origem.

Continuamos para sul ainda em densa mancha florestal, que embora nos permitisse apenas fugidias vistas para o vale de Azevedo, nos ia defendendo do crescente calor e sol intenso.

Chegados ao ponto mas alto do percurso, iniciamos a descida acompanhando um minúsculo veio de água que foi aos poucos engrossando, e que outrora serviu de força motriz a pelo menos dois moinhos de Azevedo, hoje completamente tomados pelo denso matagal.

Depois de cruzar o lugar de Fontinhas atravessamos a mata de Lenteira e subimos o vale quase até ao cruzamento dos 7 caminhos, para cruzar a ribeira de Raibô. Aí fizemos uma pausa prolongada, pois a velhinha cadela da Manuela Rego, face ao muito calor e cansaço teve uma quebra e teve que ser transportada, primeiro ao colo e depois numa padiola improvisada, até às minas de volfrâmio de Azevedo.

A bicha de nome Rita (!) estava exausta e as agruras do percurso foram para além da sua já débil resistência, obrigando a este improviso que se mostrou providencial, pois recuperou rapidamente as forças, passando a acompanhar pelos seus meios os preocupados donos, dispensado os "maqueiros" de mais esse esforço.

Das minas de volfrâmio e estanho de Azevedo, que pertenceram ao importante couto mineiro de Gondar, restam apenas as ruínas das casas de tratamento do minério, agora perdidas na vegetação e as bocas das negras galerias escavadas na rocha xistosa, hoje  esconderijo de morcegos, únicas testemunhas da presença humana nestas recônditas paragens.

As galerias ainda são visitáveis, mas o nível freático desaconselhava qualquer incursão, pelo que nos limitamos a breve relance ao início das estreitas galerias, que se alongavam montanha dentro, de onde se extraía o cobiçado minério, imprescindível às máquinas de guerra dos conflitos que assolaram o mundo no início do século XX.

Foram tempos terríveis que trouxeram a morte de muitos, mas a riqueza temporária de alguns, com a ocupação e um desenvolvimento esporádico destas terras, prontamente abandonadas logo após o seu términus.

Acompanhamos a margem direita do ribeiro até deixar a antiga freguesia de Azevedo e cruzamos de seguida o Rio Tinto, que seguimos até à Casa da Moleira, que segundo os locais foi engenho e residência da última moleira destas paragens.

Seguimos pelo caminho do Alveiro para Venade, mas nas imediações da aldeia um grupo de atrasados separou-se e cortou caminho diretamente às viaturas, perdendo o restante percurso previsto. Lamentamos este tipo de comportamento, que provocou a desorganização do grupo, já que fomos muitos a esperar pelos poucos que se "baldaram". Não é este o procedimento que se espera dos caminheiros participantes nestas atividades, que tinham na sua posse desdobráveis com mapas e elementos mais que suficientes para a sua orientação.

Saímos todos juntos, pelo que deveríamos ter chegado todos juntos!

Assim é que deve ser!

Chegados ao centro de Venade, fizemos uma longa pausa no Largo António Joaquim Alves da Cruz, onde pudemos visitar a igreja paroquial de Santa Eulália, padroeira da aldeia, tendo a foto do desfalcado grupo lugar no belíssimo Cruzeiro de Venade, um dos belos e mais interessantes exemplares do período barroco.

Trata-se de uma obra única, que a apresente a meio a imagem de Nossa Senhora da Conceição, de mãos postas em oração com a serpente enrolada aos seus pés, encimada por um Cristo numa cruz de braços de secção circular.

Quando finalmente demos conta que os poucos faltosos já estavam no "bem bom", na sombra do parque de merendas, seguimos pela Av. Barão S. Roque e Rua de Ribas até à Travessa das Fornas, onde finalmente trocamos os farnéis, numa providencial sombrinha em amena cavaqueira.

Assim se encerrou a época 2017/2018. Em Setembro voltaremos!

 

José Almeida
Vianatrilhos

 

Galeria da mina de volfrâmio de Azevedo

Dados do percurso

Informação sobre os aspetos mais significativos:

Data 2018-06-16
Hora de início 09:31
Hora do fim 14:30
Tempo total do percurso 4h 59m
Velocidade média deslocação 4.00 km/h
Distância total linear 12.5 km
Distância total 12.6 km
Nº de participantes 21