2018-04-21 - No alto da Picota de Frangoto

Cabana Maior - Gondoriz - Carralcova

Tanto teimamos que desta vez foi! Finalmente o tempo permitiu a nossa ida ao Mezio para fazer o percurso previsto para a Picota de Frangoto.

Andar nestas terras altas exige um mínimo de condições, que as semanas transatas teimaram em não proporcionar, já que neste tipo de terreno as nuvens baixas e chuva persistente desaconselhavam qualquer aventura por estas paragens.

O tempo de sábado estava bastante aberto, húmido mas quase perfeito para uma jornada de montanha, pelo que abalamos de Bouças Donas deixando para trás os socalcos agrícolas, duramente conquistados à montanha e descemos para Bostelinhos, onde infletimos para Norte, tomando a margem esquerda do ribeiro de Bostelinhos, na direção do Couto dos Bicos e depois para a Branda de Bostejões, no topo do vale.

Depois de uma curta pausa para reabastecimento, decidimos ir até ao Fojo da Cabrita  subindo mais um pouco para Norte, até ao local onde se encontrava essa antiga armadilha para os muitos lobos que assolavam estas inóspitas paragens, pondo em perigo constante o muito gado aqui pastoreado.

Esta singular armadinha proporcionava uma fácil entrada no cercado de pedra pelo lobo, atraído pelos balidos da cabrita sacrificada, impossibilitando depois a sua saída, expondo-o à morte certa pelos pastores, em defesa dos seus numerosos rebanhos.

Era assim que os lobos, com toda a sua astúcia e reserva à presença humana, eram levados ao engano pelo engenho dos pastores que lhe preparavam o engodo.

Fossem lobos ou não, o certo é que fomos encontrando pelas imediações do fojo diversos restos de gado e de garranos, que por doença, fome ou ataque da fera, aqui pereceram.

Mas era tempo de regressar,  tomando agora a margem direita do ribeiro de Bostelinhos e rumando na direção do marco geodésico de Alvite, que com os seus 838 m de altura domina toda a paisagem circundante. A elevação, conhecida como Picota de Frangoto, permite desfrutar de uma paisagem grandiosa para os diversos vales circundantes e para os elevados picos do parque natural Peneda -Gerês.

Mais uma foto de grupo e iniciamos a descida para Vitoreira, pois o vento soprava forte e o tempo ia progressivamente piorando.

Era mais que tempo para a pausa da refeição, aproveitado para mais uma cerimónia de batismo, cabendo desta vez a honra à companheira Helena Torres, que se mostrou perfeitamente à altura desta elevada distinção e na presença dos seus padrinhos, emborcou sem hesitar o preciso liquido batismal, que a eternizou como "Caminheira Vianatrilhos".

Retomada a marcha, a descida foi a corta-mato, apresentando alguma dificuldade, especialmente quando nos aproximamos de uns curros circulares, perdidos na imensidão da serra, com uma cardenha quase escondida nos penedos circundantes. A descida tornou-se complicada e foi a custo que alcançamos a sua calçada de acesso.

Chegados a Vitoreira descemos até ao Regato de Bostelinhos que cruzamos na singela Ponte de Vitoreira, iniciando a subida da calçada para Vilela das Lages, que abandonamos logo a seguir, para subir á esquerda uma outra ingreme calçada na direção de Bostelinhos.

O tempo aqui mostrou os dentes e começou a chover de mansinho, o que tornou a progressão mais lenta, pois as pedras cheias de líquenes e agora molhadas, propiciavam o trambolhão, pelo que houve que redobrar os cuidados.

Descemos de seguida para a ribeira de Vilela que atravessamos na Ponte de Vilela, passando para a sua margem direita, seguindo a meia encosta na direção da Ponte do Galego. A inoportuna chuva entretanto parou, mas a muita humidade no ar e a subida continuada fez-nos suar às estopinhas, pelo que aí fizemos a derradeira paragem para recuperar forças para iniciar a ascenção para Bouças Donas.

Esta última tirada foi bem dura, pois para além da forte inclinação da calçada, já levávamos nas pernas muitos quilómetros, o que fez com que  o grupo se alongasse consideravelmente. Mas chegamos todos bem, fazendo o agrupamento num interessante conjunto de espigueiros de Bouças Donas, agora totalmente em ruína, testemunhas do abandono progressivo das terras de cultivo.

É pena, pois nestas aldeias já quase só se vê velhos e cães, que ruidosamente fizeram anunciar a nossa chegada ao final de mais um belo dia nestas terras de Arcos de Valdevez.

O encerramento fez-se no 27.

Não esquecer a inscrição na celebração do 20º Aniversário do Grupo. Pode AQUI conhecer o programa do evento.

 

José Almeida
Vianatrilhos

 

Dados do percurso

Informação sobre os aspetos mais significativos:

Data 2018-04-21
Hora de início 09:09
Hora do fim 16:21
Tempo total do percurso 7h 12m
Velocidade média deslocação 2.90 km/h
Distância total linear 15,55 km
Distância total 16.10 km
Nº de participantes 24