2018-02-24 Por Terras de Cervaria

Lovelhe - Reboreda - Candemil - Sopo - Gondarém - Loivo - Cerveira - Lovelhe

 

O dia começou bem, com a concentração na capela de Nª Srª da Encarnação, freguesia de Lovelhe, sob um soalheiro dia de inverno. Subimos nas traseiras da capela por uma conduta de captação de água até à estrada alcatroada e daí descemos ao “Cervo”, que domina a paisagem sobre o estuário do rio Minho.

Esta escultura em ferro, da autoria de José Rodrigues, está instalada no cimo do monte do Crasto, na Serra da Gávea e assume-se como o símbolo de Vila Nova de Cerveira, uma vez que a origem do nome do concelho tem a ver com os seus muitos cervos (veados), tendo as armas do concelho a imagem daquele animal.

O cerdo é ainda figura principal na lenda "Cervo Rei", que julgando-se imortal, aqui estabeleceu sua colónia, que toda a gente a passou a chamar de "terras de Cervaria". Vencendo todos os que lhe faziam frente, desde sarracenos a cristãos, no final foi enganado pelos deuses, que afinal o deixaram morrer só, velho e doente, pois não lhe concederam a imortalidade… desaparecendo com ele a "Terra da Cervaria”.

A paisagem é um deslumbramento!

Como nos descreve J A Vieira no Minho Pitoresco “Há paisagens no Minho que dão ao espírito a sensação de grandeza, outras a da recordação de um idílio, algumas a da melancolia das solidões agrestes, muitas a do sorriso da vegetação e da expansibilidade panteísta da alma; mas poucas, muito poucas darão, como esta que se goza em Cerveira a sensação castíssima da mística poesia dos lagos, a idealidade profundamente sentida dos beijos amorosos da criação sobre o seio fecundo da terra, a boa mãe comum.”

A foto de grupo fica para a posteridade, com Vila Nova de Cerveira a nossos pés, entre as serras e o rio Minho, com a Galiza defronte e o mar no horizonte.

Daí seguimos por estradões florestais mais ou menos acessíveis da freguesia de Reboreda e Candemil até ao Convento de S. Paio ou Sanpayo, fundado nos fins do séc. XIV por religiosos provenientes da Galiza, pertencentes à Congregação dos Frades Menores de S. Francisco.

O seu isolamento, sucessivos saques e imposições políticas levaram-no à completa ruína, até que José Rodrigues promove ao seu restauro e o converte no seu museu - atelier tendo posteriormente sua família o remodelado para turismo rural, para os mais endinheirados.

A etapa seguinte conduziu-nos ao alto da Pena,  um dos locais mais altos da região do Alto Minho, com vistas que alcançam os concelhos vizinhos, o rio Minho e as terras galegas.
É um local de excelência, em que fizemos uma curta paragem para retemperar as forças consumidas pela dura subida.

Alcançado o ponto mais alto da jornada, havia agora que iniciar a descida pelo lado nascente, por trilhos e caminhos das freguesias de Sopo, Gondarém e Loivo. O pendor da descida era acentuado e a progressão resultava bastante dificultada pelas muitas pedras soltas, que se transformavam em armadinhas mais ou menos difíceis de ultrapassar. Mas lá fomos descendo devagar, até atingir o caminho mais abaixo, que contorna a serra de regresso ao convento de S. Paio.

Até às imediações do convento tudo decorreu sem problemas, mas depois o percurso infletia numa descida agreste para a outra vertente do vale e foi aí que a coisa se complicou... e muito! A descida iniciou forte, mas depois a coisa piorou e ficou quase a pique! Pobres joelhos que se queixavam do esforço e foram bastantes as escorregadelas e quedas resultantes das pedras roladas, felizmente sem consequências de maior.

Quando se desce muito a seguir... muito se sobe! pelo que nos esperava do outro lado do pequeno ribeiro uma subida abrupta, que impressionava e desmoralizava qualquer um. Voltar atrás não era opção, pelo que o remédio foi continuar e subir a custo até ao local onde fizemos a pausa de almoço. A chegada foi dispersa, tendo vários caminheiros feito das tripas coração para vencer esta imprevista dificuldade.

Foram vários os desabafos quanto à dificuldade deste curto troço; que era demasiado duro, que a classificação prevista de moderado não era compatível, que deveríamos ter escolhido outra ligação menos exigente.

Isto de pegar em bocados de “tracks” e juntar dá por vezes resultados complicados, pois as interligações são o diabo! Foi o que aconteceu desta vez, já que a interligação de troços já nossos conhecidos acabou por ser feita por “corta fogos” que foram um verdadeiro desafio quer para o equilíbrio nas descidas, quer para o cansaço nas duras subidas.

A nossa “mea culpa” pois as coisas poderiam ter sido um pouco diferentes, mas “as dificuldades são como as montanhas, aplainam-se quando avançamos sobre elas” e “quanto maior a dificuldade, maior é a satisfação de a ultrapassar”, pelo que não desanimem!

Após a pausa de refeição restava um troço mais ou menos a meia encosta, que nos proporcionou mais um conjunto de belas panorâmicas para a foz do Minho, que ia adquirindo tons de ouro e prata, que o sol refletia nas suas calmas águas.

Chegados finalmente à capela da Srª da Encarnação aproveitamos as mesas do seu belo parque de merendas para fazer uma ultima pausa para relaxar os músculos em amena cavaqueira e observar a paisagem sobre o estuário do Minho, com o sol já a descer no horizonte.

Foi um dia cansativo mas com estas paisagens... valeu a pena!

O fecho do dia fez-se nos petiscos da “Colher de Pau” em Reboreda.

 

José Almeida
Vianatrilhos

 

Dados do percurso

Informação sobre os aspetos mais significativos:

Data 2018-02-24
Hora de início 08:55
Hora do fim 15:36
Tempo total do percurso 6h 41m
Velocidade média deslocação 2.78 km/h
Distância total linear 13,46 km
Distância total 13.68 km
Nº de participantes 29