2018-02-17 Escapadela a Vinhais - Dia I

Tresminas - Mil Diabos à solta em Vinhais

Chegamos à pequena aldeia de Tresminas antes das 10:00, cumprindo rigorosamente o horário previsto.

Depois de algum tempo de espera pelos mais atrasados, deixamos o Centro Interpretativo para fazer um percurso pedestre que contemplava uma visita ao miradouro sobre a Corta da Ribeirinha, com a visualização e interpretação da paisagem de Tresminas, posterior visita ao interior da Galeria dos Alargamentos, e finalmente ao local da antiga exploração mineira a céu aberto da Corta da Ribeirinha.

A guia que nos acompanhou foi pródiga em explicações sobre toda a envolvente mineira e esteve sempre disponível para as eventuais dúvidas ou questões.

E foram muitas as explicações que nos foi transmitindo ao longo da visita, sendo o momento mais esperado o da visita à Galeria dos Alargamentos, onde o grupo se desdobrou de forma a proporcionar uma melhor visualização da negra galeria que rompe a rocha xistosa,  arduamente escavada ao longo de séculos.

Oportunidade para observar os temidos mas inofensivos morcegos que ainda invernavam dependurados dos tetos, vigilantes sombrios dos segredos da mina.

Depois de uma curta visita à antiga mina a céu aberto da Corta da Ribeirinha havia que regressar, pelo que o final da visita foi já no Centro de Interpretação de Tresminas, onde pudemos fazer uma síntese final dos que vimos na parte da manhã, completado com mais informação sobre múltiplos aspetos da atividade mineira, bem como dos usos e costumes da população residente ao longo dos vários séculos da sua laboração.

Agradecemos à nossa simpática guia - Patrícia Machado, que esteve sempre em plano de destaque, mostrando grande conhecimento das matérias versadas e um à-vontade dignos de registo. Obrigado!

A segunda parte da visita a Tresminas foi de volta da mesa na Tasca do Xico, onde nos esperavam umas excelentes entradas regionais e um Javali muito bem confecionado.

Foi dura a partida, mas havia que vencer a última etapa até Vinhais, onde tínhamos previsto um extenso programa de visitas ao Centro Cultural dos Condes de Vinhais e Centro Interpretativo do Porco e do Fumeiro.

Se ainda houve tempo para a visita ao Centro Cultural dos Condes de Vinhais onde decorria uma interessante Mostra de Máscaras Transmontanas, já não houve tempo de visitar o  Centro Interpretativo do Porco e do Fumeiro, que entretanto fechou portas.

Mas a noite ia caindo de mansinho pelo que havia que descer até ao Convento de São Francisco de Vinhais, onde os mil diabos iam tomando posições para, na companhia da Morte gigante, desfilar pelas ruas da vila, numa procissão que termina no largo do Arrabalde, onde as raparigas raptadas  e aprisionadas pelos diabretes são levadas à pedra e castigadas, finalizando com o fogo a revelar o rosto da Morte.

O recriar desta tradição, intimamente ligada ao início da Quaresma, dá a Vinhais um ar feérico com os vermelhos diabos na noite escura a raptar de seus lares as jovens moças. Por fim vem a queima da Morte que deve ser vista por todos pois "quem para o rosto da Morte olhar, por um ano a irá afastar".

Um festival de cores e luz que nos vai ficar na memória e que evidencia a identidade cultural deste povo serrano.

A fome entretanto apertava, pelo que foi no Restaurante Vasco da Gama que fizemos a última refeição do dia, com a posta e o cordeiro a disputar as atenções dos muitos presentes, que se acotovelavam na exígua sala de jantar, com a lotação largamente excedida.

Apertados... mas bem servidos, sendo para alguns o anho o vencedor da disputa, pois a rodada final fez jus aos sabores divinais de tão apreciado manjar.

Tempo ainda para a surpresa que o Ernesto fez ao Vilaça e para a oferta de lembrança da Vianatrilhos ao simpático Miguel, que nos acompanhou durante a visita a Vinhais.

No fim os mais valentes ainda fora até ao pavilhão da festa junto do Convento de São Francisco, onde foi servida a queimada do Outro Mundo, que aqueceu ainda mais a alma dos mil diabos.

 

José Almeida
Vianatrilhos

 

Albuns Fotográficos