2017-11-25 Pelas Encostas de Santa Luzia

Abelheira - Stº André - S. João do Monte - S. Mamede - Fincão - Stª Luzia - S.João

 

Para os que julgavam conhecer bem Santa Luzia esta jornada foi uma bela surpresa, pois foram usados diversos trilhos e quelhas que são quase inteiramente desconhecidas para a grande generalidade dos presentes.

Começamos na Abelheira, por trás da escola secundária e tomamos um trilho que ascendia pelo meio de densa vegetação para a curva da capela de Santo André, situada no início da subida para Santa Luzia.

Daí, seguimos pela lateral do depósito de água e tomamos a íngreme quelha da Catalôa até ao lugar da Abelheira que deve o seu nome ao elevado número de colmeias existentes, que produzem o delicioso mel de pinho, muito apreciado localmente. Seguiu-se a descida para o convento de S. Francisco do Monte que visitamos demoradamente.

O convento de S. Francisco do Monte data do século XIV e terá sido um dos três primeiros da Ordem dos Frades Menores, também conhecida por Ordem de São Francisco, por Ordem dos Franciscanos ou Ordem Franciscana, a ser erguido em Portugal.

Foi contudo abandonado pela dificuldade de acesso, tendo sido reedificado em 1751 mas de novo abandonado em 1834 na sequência da extinção das ordens religiosas, continuando em progressivo estado de degradação até aos nossos dias. O atual proprietário é o Instituto Politécnico de Viana do Castelo, que infelizmente continua a votar este valioso património ao mais completo abandono.

É deplorável atestar a progressiva degradação do imóvel e terrenos envolventes que em poucos anos foram invadidos pela densa vegetação e alvo de pilhagens sucessivas, tendo sido profanados túmulos, roubados santos, desmontadas e levadas as pedras mais valiosas e por fim, levada a cabo selvática destruição e pichagem de tudo o resto. Já pouco resta do importante património!

Foi junto ao portão de acesso que se fez uma pausa para recordar os santos aí venerados e para reviver velhas tradições, hoje quase esquecidas, entre as quais a muito curiosa cerimónia  do “Romeiro” a São Francisco do Monte, aquando o “Bota-abaixo na ribeira de Viana”, em que rumavam ao convento nove jovens virgens de nome Maria que aí arrancavam um pé de milagroso azevinho, para mais tarde enfeitar os novos bateis e lanchas de pesca. De seguida, o novo barco era “embebedado” com vinho tinto, assim terminando a cerimónia do “Bota Abaixo”

Tirada a foto de grupo abalamos monte acima para a Carreira de Tiro, paradisíaco planalto onde abundam folhosas de grande porte que com os tons matizados do outono nos brindam com um espetáculo de cores, dos múltiplos verdes aos amarelos, vermelhos castanhos.

Daí, seguimos para o lugar de S. Mamede, pertencente à freguesia da Areosa, antigamente procurado por caçadores e apicultores que ainda hoje produzem o muito apreciado néctar, festejado na romaria local – Festa do Mel, sendo hoje a mais importante festividade da freguesia.

Tomamos o caminho da Aldeia Velha e fomos ao encontro das ruínas da antiga capela, hoje meio escondida na densa vegetação, tendo posteriormente regressado ao largo da capela de S. Mamede, utilizando o parque de merendas para a merecida pausa de almoço.

Tirada nova foto conjunta, desta vez com a bandeira do grupo, seguiu-se o momento solene dos batismos dos novos participantes.


Desta vez, a honra da iniciação coube ao Jorge, Carla Rocha, Salete Calvinho e Luís Graça que apadrinhados por elementos mais experientes do grupo, passam a ostentar a graça de Caminheiro Vianatrilhos.

Mas havia que continuar e tomamos o trilho dos Canos de Água (PR9) percorrendo em sentido contrário a ligação entre as captações de água do Alto do Merlo até aos arcos do Fincão e os duplos arcos da Pedreira, onde finalmente abandonamos esta canalização que desde o sec XVI abastecia o burgo de Viana do Castelo.

Esta captação da Povoença foi causa de muita disputa, pois inicialmente servia de abastecimento exclusivamente a explorações agrícolas mas que com a sua canalização para o Chafariz do Campo do Forno – atual da Praça da República, levou à revolta dos lavradores que exigiam a totalidade do preciso líquido.

Esta canalização, totalmente feita em grandes blocos de granito perfurado, é uma obra monumental que impressiona pela sua extensão e complexidade, tendo desempenhado durante séculos a sua utilidade primeira, mas hoje votadas ao abandono, testemunho de um passado de penosos esforços para abastecer a sede do concelho.

Demorou-se muito no trajeto, pois uns foram percorrendo o cano e  outros fizeram um não programado desvio para observar uma das várias minas, o que levou à separação do grupo e a desnecessárias esperas, penosas pelo frio que começava a fazer-se sentir.

Aquecemos na subida para Santa Luzia, tendo feito uma breve pausa defronte desta imponente templo, inspirado na Basílica de Sacré Cœur, que tem uma espetacular vista para a cidade de Viana do Castelo, todo o vale do Lima e orla atlântica.

É uma visão conhecida de todos nós mas sempre apreciada pela grandiosidade do cenário, que merece destaque.

A última etapa levou-nos a percorrer o jardim das tílias, contornar a pousada de Santa Luzia e a citânia do mesmo nome, onde terá começado a ocupação humana desta parcela de território, chegando à Quelha das Mulas, que desce vertiginosamente para a capela de S. João de Arga, seguindo finalmente para o término do percurso.

Foi um soalheiro e seco dia de outono que nos levou a percorrer Santa Luzia por caminhos esquecidos de quase todos, mas que nos deu a conhecer património de destaque, a natureza em toda a sua beleza e desfrutar de paisagens inolvidáveis.

Assim é Viana do Castelo!

O animado lanche de encerramento foi no Melro.

 

José Almeida
Vianatrilhos

 

 

Dados do percurso

Informação sobre os aspetos mais significativos:

Data 2017-11-25
Hora de início 08:47
Hora do fim 16:18
Tempo total do percurso 7h 31m
Velocidade média deslocação 3.02 km/h
Distância total linear 16.83 km
Distância total 17.17 km
Nº de participantes 26