2017-05-06 Rota do Glaciar - PR6 MTG

Vale glaciar do Zêzere

 

Manhã bem cedo, abrindo a cortina e olhando o dia, o céu apresentava-se com nuvens carregadas. Mais uma vez a nota dominante foi a pontualidade de todos. Feito o pequeno almoço, eram 08H10 quando o autocarro rumou em direção á Torre.

Finalista das 7 maravilhas naturais de Portugal, o Vale Glaciar do Zêzere, faz-se compreender por três andares altitudinais (basal, intermédio e superior).

Pela estrada, em direção à Torre, conforme íamos subindo mais o tempo piorava, com alguma chuva e um nevoeiro cerradissimo que nada deixava ver, mais o frio que se fazia sentir.

Após pequena conferência e perante as circunstâncias do tempo, decidiu-se alterar o início do percurso encurtando-o cerca de 3 km, começando-o mesmo por cima da Nave de Santo António, a 1600 metros de altitude.

O termómetro marcava 3 graus, a visibilidade era praticamente nula mas a vontade era grande, visível no entusiasmo de todos. Houve que aceder ao reforço de roupa e proteções para enfrentar o clima.

Descemos da estrada e começamos a caminhar por entre vegetação arbustiva baixa e rala, por entre pequenos charcos e laguachos, turfeiras e prados de montanha, em que a Nave de Santo António ou Argenteira, como também é designada, é um bom exemplo deste tipo de Prados. À direita, mas não sendo possível vê-lo estaria o Polo Judeu, assim designado o grande bloco errático da moreia lateral direita do Zêzere.

Continuando embrenhados no denso nevoeiro, um pouco mais à frente após passarmos um fontanário atingimos a estrada por onde descemos, passando pela Fonte da Jonja já próximo do Covão da Ametade, zona protegida, local de depressão onde repousam sedimentos originando pequena planície naquilo que foi uma antiga lagoa de origem glaciar, aos pés do Cântaro Magro, Cântaro Gordo e Cântaro Raso, logo acima do Covão de Albergaria, assim designado como local de início do Vale Glaciar que vai até Manteigas (o maior vale glaciar da Europa?). Este local foi visitado demoradamente e foi tirada a foto de Grupo.

Continuamos mais um pouco ao longo da estrada passando junto da fonte de Paulo Luís Martins, e logo mais abaixo abandonamos a mesma para descer através de um estreito carreiro ladeado de grande giestal, que nos levou até bem perto do rio Zêzere, acompanhando-o agora ao longo do vale. Aqui e ali por entre penhascos, cascatas de inúmeros cursos de água precipitam-se desde o alto para alimentar o Zêzere. Mais abaixo na vertente esquerda, o Espinhaço do Cão, esporão que desce do topo do planalto até ao fundo do Vale, constituindo único acesso natural (na Portela do Altar) para quem queira empreender uma caminhada até lá mais para cima.

Numa típica casa serrana denominada “Sitio da Paz” foi altura para se encherem os cantis com a fresca água da serra e captura de engraçado registos fotográficos.

No local em que tivemos de trocar da margem direita para a esquerda, foi escolhido para o reabastecimento. Deste local já começávamos a divisar Manteigas, e também já se fazia notar a mudança no tipo de vegetação com predominância para o pinheiro, e aqui e ali algumas cerejeiras.

Entretanto o nevoeiro tinha ficado já lá mais para cima, a temperatura estava agora mais amena o que obrigou a serem retiradas algumas roupas. O rio corria agora por entre blocos graníticos ladeado por pequenos campos de cultivo e dispersos “casais” alguns em estado de ruína, obrigando a que o trajeto fosse feito ao longo de um estradão, passando por um rebanho de cabras e ovelhas acompanhado do genuíno pastor e seus cães, oportunidade para interessante conversa e registo fotográfico.

Passamos depois pela estação Aquícola da Fonte Santa, pelas Caldas de Manteigas cujas águas sulfurosas são indicadas no tratamento de várias doenças, Pousada do Inatel, pelo antigo Bairro Fabril junto da antiga fábrica de lanifícios agora novamente em laboração e igreja de São Pedro já na vila de Manteigas (720m altitude).

Entretanto enquanto se esperava pelos não caminheiros que vinham no autocarro de um passeio mais “soft” por Sortelha, Belmonte. Valhelhas e Sameiro, esse tempo foi aproveitado para visitar o interior da vila, típica povoação de montanha de ruelas estreitas e sinuosas.

Chegado o autocarro, recuperados os carros aqui deixados na noite anterior e já devidamente instalados rumamos em direção à Torre, realizando agora pela estrada o trajeto em sentido inverso, com paragem, novamente no Covão da Ametade e na Torre, que se descobriu à nossa chegada, por breves momentos´, deixando-nos ver toda a sua grandeza.
Mas o nosso destino era a cidade da Covilhã, para um retemperador banho e repouso, e um jantar mais uma vez, bem servido e em alegre ambiente. Findo este havia que dar repouso ao corpo pois no dia seguinte havia mais.

Miguel Moreira

Vianatrilhos

Rota do Glaciar PR6 MTG (Serra da Estrela)

Finalista das 7 maravilhas naturais de Portugal, o Vale Glaciar do Zêzere faz-se percorrer pelo seu interior ao longo da Rota do Glaciar, desbravando um caminho de singular beleza. O percurso acompanha o refrescante Rio Zêzere, entre quadros que emolduram o azul do céu e o verde do Vale.

Ao longo da Rota do Glaciar é possível contemplar o Vale Glaciar do Zêzere, um dos melhores exemplos da modelação da paisagem pelos glaciares, em forma de “U”. Apesar de se tratar de um vale glaciar e por isso muito aberto, as encostas são muito íngremes, cobertas de bolas graníticas e caos de blocos, principalmente na base das linhas de água.

A Rota do Glaciar, compreendida nos três andares altitudináis (basal, intermédio e superior), oferece uma perspectiva alargada das características morfológicas de Manteigas e da Serra da Estrela, vincada pelas diferentes tipologias de paisagem.

 Sob o ponto de vista paisagístico, o trilho encerra um conjunto de valores naturais e culturais de interesse inestimável. Destacam-se os inúmeros vestígios de acção glaciária e de uma vegetação natural com espécies endémicas e outras de distribuição rara, vestígios que assinalam a presença do Homem na região desde os tempos mais remotos, presença que se reflecte na forte humanização marcada na paisagem envolvente, e nas actividades tradicionais do pastoreio e da agricultura de montanha, adaptada às exigências do território da Serra da Estrela.

No fundo do Vale Glaciar do Zêzere é possível observar os pastos verdejantes, os rebanhos de ovelhas, as casas típicas da serra-"cortes" e a Vila de Manteigas perfeitamente encaixada no vale.

A Torre, localizada no Planalto Superior da Serra da Estrela com estatuto de Reserva Biogenética pelo Conselho da Europa, em Março de 1993, é um local de notoriedade, sendo o ponto mais alto de Portugal Continental (1993 metros) onde D. João VI (1816-1826) mandou erigir a torre, toda em pedra, para completar os 2000 m de altitude e onde se praticam desportos de Inverno atraindo visitantes oriundos dos mais diversos pontos do país.
Neste ambiente de horizonte amplo cresce uma vegetação arbustiva baixa e rala de onde sobressaem elementos rochosos, surgindo nas depressões, lagos, laguachos, turfeiras e prados de montanha dominados pelo Nardus stricta (Cervum). A Nave de Santo António ou Argenteira, como também é designada, é um bom exemplo deste tipo de prados.

O Covão d`Ametade, depressão de origem glaciar, outrora uma pastagem de cervunal, foi arborizado com vidoeiros ao longo das margens do rio Zêzere, e as suas linhas de água subsidiárias, para criar condições de abrigo aos rebanhos de ovelhas. É o encontro com um pequeno paraíso terrestre onde a micro-fauna e micro-flora da Serra revelam a sua formidável biodiversidade.

A Rota do Glaciar é muito rica em elementos emblemáticos de paisagem natural, designadamente, Covão do Ferro, Cântaro Magro, Cântaro Gordo, Espinhaço do Cão (moreia), Poio do Judeu, Pedra do Equilibrio, Covão Cimeiro, Barroca dos Teixos.

Merece especial destaque a Senhora da Boa Estrela, no Covão do Boi, a qual se trata de uma obra de arte de cariz religioso, uma escultura dos anos 40, incrustada numa rocha dos contrafortes do Cântaro Raso. Deste  local é possível observar os Cântaros Gordo, Magro e Raso, afloramentos graníticos que atingem, respectivamente, 1875, 1928 e 1916 metros de altitude.

Na paisagem humanizada é ainda de evidenciar o Abrigo dos pastores e o Fontanário, na Nave de Santo António, a Fonte da Jonja, próxima do Covão d`Ametade, o Bairro fabril, junto da antiga fábrica de lanifícios e a Igreja de São Pedro, já na Vila de Manteigas.

A Estância Termal de Caldas de Manteigas é outro elemento de referência pelas suas águas sulfurosas, indicadas no tratamento de várias doenças, como reumatismo, dermatoses, vias respiratórias e doenças musco-esquelécticas.

A Rtoa do Glaciar encerra uma fantástica biodiversidade proporcionada por espécies floristicas e faunísticas de beleza singular.

Da fauna existente destacam-se a cia, a sombria,o guarda-rios, a lagartixa-da-montanha, a cobra-de-água-de-colar, Toupeira-de-água, Gralha-preta, Truta fário, truta arco-íris, a boga, etc.

 

in: manteigastrilhosverdes.com

Dados do percurso

Informação sobre os aspetos mais significativos:

Data 2017-05-06
Hora de início 08:44
Hora do fim 15:11
Tempo total do percurso 6h 26m
Velocidade média de deslocação 3.2 km/h
Distância total linear 16.57 km
Distância total 16.77 km
Nº de participantes 24

Fim de semana na Serra da Estrela

05, 06 e 07 de Maio de 2017

Partida de Viana de Castelo na 6ª Feira, dia 05/05/2017 às 09:30 do Café Vitral,  almoço volante e dormida na Covilhã. 

Percursos "Rota do Glaciar" no sábado e "Rota das 6 Lagoas" no domingo de manhã, com regresso após almoço.