2017-03-18 De S. Cláudio pelo rio do Seixo até à ponte de Tourim

Nogueira - Meixedo - Vilar de Murteda - Amonde - Orbacém

 

Logo após deixar parte da viaturas junto à Ponte de Tourim, rumamos à capela de S. Cláudio na freguesia de Nogueira, onde demos início a esta atividade, num belíssima véspera de primavera.

A singela capela românica de S. Cláudio, cuja construção remonta ao início da nacionalidade, serviu de local concentração dos muitos caminheiros que se inscreveram para este percurso.

Após breve explicação do que iramos percorrer, dirigimo-nos para as margens do rio do Seixo, fraco curso de água que nasce na Serra D'Arga, tomando inicialmente o nome de rio dos Campos, para em Vilar de Murteda se passar a chamar de rio do Seixo  e que serve de afluente ao Lima , separando ao longo do seu curso as freguesias de Nogueira e Meixedo.

A subida do rio fez-se com bastante dificuldade, pois a opção tomada pelos companheiros que fizeram o levantamento do percurso, foi a de seguir junto ao rio, evitando os estradões próximos. Se por um lado esta opção permitiu uma maior proximidade com a natureza, pelo outro obrigou a um constante saltitar pelos espaços disponíveis em ambas as margens e lutar contra a densa e bravia vegetação, muito comum nas margens destas linhas de água.

Pelo lá fomos, ora pela margem direita, ora pela esquerda, subindo sempre o ténue curso de água, que mesmo assim dificultou a travessia em diversos locais, levando a muitas escorregadelas, algumas molhadelas e mesmo uma ou outra queda, felizmente sem importância de maior.

Passamos por diversos moinhos desmoronados  e campos de cultivo há muito abandonados, tendo a vegetação bravia tomado conta de tudo, o que dificultou e atrasou ainda mais a progressão.

Fizemos uma curta paragem na casa da Azenha, ou casa da Cegonha, onde reabastecemos e retemperamos forças, mas havia que seguir, pelo que após o descanso, recomeçamos o saltitar nas margens pedregosas do rio do Seixo,

Alguns não gostaram muito da aventura, ouvindo-se aqui e ali críticas de falta de preparação do percurso, pois mesmo com a ajuda dos GPS, era difícil dar com os locais de travessia do curso de água, muito encobertos pela densa vegetação.

Podem os críticos ter alguma razão, mas este é um grupo formado por amigos, que se juntam para caminhar e que alargam gratuitamente a participação a outros, pelo que não é, nem pretende ser, uma entidade profissionalizada de organização de eventos, em que estas falhas não podem ser toleradas.

Não é isso que queremos e os que pretendem andar connosco devem saber isso, havendo muita escolha para quem pretenda prestação de serviços profissionais.

Mas lá fomos, com alguma dificuldade até Vilar de Murteda, lugar de Pereiró, onde fizemos a pausa de almoço junto às suas vistosas quedas de água.

Foi este o cenário escolhido para a foto de grupo, tirada pouco antes de iniciar a subida para a estrada municipal que liga a S. Lourenço da Montaria, que cruzamos, seguindo depois para Amonde.

A paragem seguinte foi nas antigas minas de ouro de Folgadouro, ou dos Verdes, que remontam à ocupação romana da península ibérica. Essas minas teriam sido importantes, já que tinham serventia pelo itinerário romano “Via Per Loca Marítima”, que dava apoio à mineração do noroeste peninsular.

Seguiu-se a descida abrupta para a ribeira de Amonde, que pôs à prova os joelhos e o equilíbrio dos caminheiros. Alguns escorregões e uma ou outra queda, felizmente sem consequências, não esmoreceram o grupo, que fez uma breve paragem em Amonde, junto ao rio, no lugar de Casal.

Faltava ainda o último troço, pelo que fomos pelo meio dos campos até ao Viso - Tourim, onde cruzamos de novo o ribeiro de Amonde para descermos pela sua margem direita, até ao seu encontro com o Âncora.

Logo a seguir chegamos à Ponte de Tourim, já na freguesia de Orbacém, bem nossa conhecida de outros percursos nas margens do rio Âncora, finalizando assim mais um dia bem passado.

O lavar dos cestos foi no Guerra em Vila Mou.

 

José Almeida
Vianatrilhos

Breve apontamento sobre as explorações mineiras entre as serras de Sta. Luzia, Perre/Nogueira, Amonde, Arga (do latino “Aurega” que significa “Mãe do Ouro”) e Antelas.

 

Desde a antiguidade que toda esta zona foi objeto de uma grande atividade mineira ao longo de seus vales e encostas, sendo que as mais antigas remontam à idade do Bronze, mais tarde os romanos e as mais recentes desde finais da década de 30 e nas décadas 40/50.

São 21 as concessões que foram autorizadas, sendo que algumas têm mais que uma mina.
A zona que hoje vamos atravessar faz parte dessa área de mineralização, que fica compreendida por Nogueira (1), Vila Mou (4), Meixedo, Vilar de Murteda (1) mas que se prolonga até Lanheses (2), estas na bacia do rio Lima, e ainda o rio do Ouro emissário do Amonde, estes na bacia do rio Âncora.

Para esta atividade muito contribuiu a quantidade significativa de linhas de água e seus emissários, que de certa forma geraram as boas condições de toda a industria extrativa do minério, entre os quais se destacam: Rio de Nogueira ; Rio do Seixo (Arieiro e Sapeiras) ; Rio Tinto (rio Velho ou rio dos Mouros ou ainda rio do Poço Negro) ;  Rio Silvareira ; Rio Estorãos

Todos eles na Bacia Hidrográfica do rio Lima, e Rio Amonde (que recebe o rio do Ouro) afluente do rio Âncora. Estes na Bacia Hidrográfica do rio Âncora.

As minas espalhadas por toda esta região do Lima e Âncora são imensas, tendo as mais variadas formas extrativas, podendo destacar-se as :

  • Minas de Rasas (10) e Cobalto (1) com 11 cortas a céu aberto (na margem direita do rio Tinto)
  • Minas de Meixedo (13) (Pinhais, Mata de Vila Mou e Alto da Mina, com 3 cortas)
  • Minas de Lanheses (olaenses, habitantes de Ola, na margem esquerda do rio Tinto)

Estas na Bacia do Lima e ainda na Bacia do Âncora as:

  • Minas do Folgadouro e Minas Alto da Bouça da Breia, bastante próximas uma da outra e com a mesma concessão, que pertenciam a Vilar de Murteda, Amonde e Montaria. Nestas extraiu-se (1956) cassiterite (1 jazigo) e Ouro (quartzo mineralizado pelo ouro e sulfuretos-arsenopirite e pirite) (1 Jazigo) e ainda Estanho e Volfrâmio.

Ao longo das explorações foram variados os vestígios encontrados no período romano, sendo muito rico esse espólio: Machados, Lucerna romana em 1943 em Rasas, cerâmica romana tardia 1982 no Campo do Passal, Ara a Júpiter 1982 na demolição da igreja paroquial de Vila Mou, Esteios de uma Anta nas minas da Cobalto em 1982, e em 102 moedas em 1877 em Balteiro.

Para comprovar a importância que esta região tinha na mineralização no período de ocupação Romana, os mesmos abriram a “Via Per Loca Marítima” que atravessando o rio Lima entre Subportela e S. Salvador da Torre (mosteiro), se dirigia depois por Nogueira (capela de Cláudio), Amonde passando pelas minas do Folgadouro em direção da ponte de Tourim (românica), atravessando-a em direção da Ponte de Saim , e em direção de Caminha/Valença.

Enfim, a zona por onde vamos caminhar, é repleta de história. Aquilo que vamos ver será muito pouco, e para isso teremos de estar atentos, procurando e explorando, devendo ter no pensamento que por aqui muito se trabalhou, lutou e sofreu!..

 

Miguel Moreira
Vianatrilhos

Dados do percurso

Informação sobre os aspetos mais significativos:

Data 2017-03-18
Hora de início 09:33
Hora do fim 16:53
Tempo total do percurso 7h 19m
Velocidade média 2.8 km/h
Distância total linear 15.9 km
Distância total 16.0 km
Nº de participantes 41