2014-05-10 Pelo Germil às Casarotas

 

E desta vez o Miguel não veio!

Por motivos familiares inadiáveis o nosso costumado guia não compareceu nesta jornada, cabendo aos seus “ajudantes” a responsabilidade de levar o grupo do Germil até às célebres Casarotas da Serra Amarela.

Chegamos cedo ao Germil, mal apreciando as conhecidas belezas da ingreme estrada que a liga a Entre Ambos-os-Rios, envoltas numa pesada bruma matinal.

Germil é uma típica aldeia de montanha situada em pleno Parque Nacional Peneda-Gerês, que conserva o ambiente rural e a vivência comunitária de outros tempos, faz parte do Concelho de Ponte da Barca, mas fica na fronteira com Terras de Bouro. 

Paramos junto à sua igreja matriz datada de 1880 e esperamos pelos companheiros que ficaram de aparecer no local, fazendo a pausa no café Danaia, que abriu propositadamente as suas portas para nos receber.

O pesado nevoeiro persistia, mas era tempo de iniciar a subida do morro fronteiro ao alto das Penedinhas, passando de uma cota de 612 m para os 974 m em pouco mais de 2 Km.

A subida foi pois muito acentuada, mas a paisagem encantadora, pois deixamos atrás de nós o manto diáfano da neblina, aparecendo aqui e ali apenas os picos que conseguiam furar a alvura das nuvens. Visíveis também algumas silhas, construções circulares em pedra que, noutros tempos, serviam de proteção das colmeias contra os ataques dos ursos.

Um espetáculo merecedor de uma foto de grupo que também serviu para uma pausa retemperadora das forças gastas na ascensão.

Seguiu-se o alto da Carvalhinha, que com os seus 1096 m proporciona uma visão a 360º, com a imponente serra Amarela já bem visível a nordeste, liberta das nuvens baixas que entretanto se iam desvanecendo lentamente nos vales mais profundos.

Mas não era esse o nosso objetivo, pelo que descemos até ao Marco da Anta, para fazer a ascensão ao Alto do Torneiro, perto do qual se encontram as célebres Casarotas da Serra Amarela.

A subida foi bastante penosa, mas as paisagens mereciam por si só o esforço. Chegados à Chã do Salgueiral começam a aparecer os vestígios de ocupação, primeiro com longo muro retilíneo e logo a seguir com um muro mais alto que termina junto ao aglomerado das Casarotas.

Estas estão envoltas em interpretações divergentes, já que uns afirmam tratar-se de uma branda de Vilarinho há muito abandonada, outros defendem uma teoria bem mais radical, identificando o local como um posto castrejo primitivo e outros como uma necrópole pré-romana.

Seja qual fosse a sua utilidade, foi nesse local que fizemos a pausa de almoço, aproveitada para repor as forças e até para algumas massagens de drenagem linfática (!), novidade absoluta nestas andanças, mas muito apreciada e louvada pelas felizardas contempladas.

Depois de apreciar as casarotas, as vistas para o Alto da Louriça e especialmente o panorama para a albufeira da Barragem de Vilarinho das Furnas, foi tempo para mais umas fotos de grupo e rumar a sul para descer pela vertente de Mata Porcos até Cortinhas.

A descida foi brutal para os nossos pobres joelhos, mas lá fomos de malhão em malhão fazendo esta via-sacra que terminou na interessante aldeia de Cortinhas, onde fizemos mais uma paragem, aproveitando para falar com alguns residentes.

A aldeia estava em boas condições, com muitas casas recuperadas por programa comunitário, mas a grande maioria dos residentes eram velhos, que a custo iam mantendo os campos agrícolas.

Seguiu-se a travessia para Cutelo, pequena aldeia de lavoura, com os seus espigueiros colocados por cima do estreito caminho que atravessa a aldeia até ao largo da igreja.

O enquadramento das aldeias neste fértil vale de montanha formam um conjunto digno de registo, mas seguiu-se o ponto pior do dia - a ingreme calçada que sobe direta de Cutelo até à Cruz, enorme penedo encimado por uma pequena cruz de ferro.

O esforço foi muito e até houve reclamações sobre a classificação de “moderado” que este percurso tinha como grau de dificuldade, mas depois de mais um descanso as coisas compuseram-se e começamos nova descida para o Germil, por uma estreita corga semeada de enormes penedos que a erosão e o tempo moldou, alguns com curiosas formas.

A calçada final estava muito escorregadia e houve mesmo uma ou duas quedas, mas nada de importância, chegando o grupo a Germil cansado, mas contente com mais uma bela jornada de montanha.

Na vinda, agora que a visibilidade o permitia, ainda houve tempo para apreciar o reconstruído Fojo do Germil, que se estende ao longo de 1400 metros, na margem poente do vale do rio Germil.

 

José Almeida

Vianatrilhos 

 

 
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