TRILHO DE STº ANTÓNIO DE VALE DE POLDROS

2009-03-14

 


Brandas e Inverneiras: o que são?


São núcleos habitacionais temporários cuja origem se prende com a necessidade das populações utilizarem os pastos localizados na serra para alimentar o gado. Na Primavera e Verão, as populações permaneciam nas povoações mais altas das serras (as brandas), enquanto no Outono regressavam às povoações mais baixas (as inverneiras) onde permaneciam todo o Inverno.

Brandas e Inverneiras: o que representam?
Representam sobretudo dois modos de vida distintos mas complementares assentes num processo comum que é a transumância e num principio básico da vida que é garantir o alimento e a sobrevivência humana, pelo que apesar de actualmente não terem qualquer utilização mantém o seu valor cultural e histórico reconhecido.

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St. António de Val de Poldros


A primeira referência a Santo António de Vale de Poldros data de 1320, “durante o reinado de D. Dinis, quando foram doadas terras desta branda ao capitão da Guarda Real, Paio Rodrigues Araújo, para a criação de gado cavalar. A pastorícia terá sido a primeira actividade económica desenvolvida nestas paragens, sendo o topónimo Val de Poldros condicionado por esse passado remoto, pois a forma poldro ou poldra é a designação popular da cria da égua, em vez de potro termo mais corrente”

“Com o evoluir dos tempos, a população começou a reconhecer outras potencialidades à branda e a explorar os seus recursos, sobretudo durante a estação quente, já que no Inverno o clima era mais adverso”

“Até meados do nosso século, durante a época estival, mais propriamente entre Março e Setembro era comum um membro de cada família com propriedades na branda subir para aí pastorear o gado, utilizando na sua estadia a ‘cardenha’ enquanto os restantes familiares ficavam atarefados com os trabalhos agrícolas. O brandeiro regressava à parte baixa da freguesia de dois em dois dias, sempre que as forças lhe permitissem suportar a penosa caminhada que tinha pela frente. Na branda de Santo António, acabou por nascer uma aldeia constituída por dezenas de ‘cardenhas’, onde se organizava, durante alguns meses no ano, uma comunidade rural formada por elementos de diferentes freguesias (Tangil, Riba de Mouro e Merufe)”.

“Paralelamente ao pastoreio desenvolveu-se uma agricultura de subsistência cujos principais produtos eram o centeio, a batata e o linho mourisco. A montanha fornecia a lenha e a carqueja para a lareira do brandeiro e o tojo necessário para a cama dos animais. Sempre que o trabalho exigia, os restantes membros da família e alguns vizinhos mais solidários deslocavam-se à branda por altura das sementeiras e das colheitas”.

“As batatas eram plantadas em Março ou Abril e colhidas em Setembro, pela Romaria da Senhora da Peneda. Parte dela permanecia na serra, juntamente com a semente, guardada em buracos isolados e apenas alguns quilos eram trazidos para a aldeia. Pelo São Bento eram organizadas as segadas do feno que implicavam o envolvimento de todo o clã familiar. Os homens iam para a serra e lá pernoitavam até que ainda de madrugada começavam a ceifar, e, só mais tarde, é que chegavam as mulheres com as crianças para estender o feno”

“De Setembro a Maio, os terrenos ficavam em pousio e serviam de pasto para o gado, o qual era fundamental para o equilíbrio da estrutura familiar, pois os animais ajudavam no trabalho dos campos, no transporte de pessoas e mercadorias, forneciam o leite e procriavam, sendo a venda das crias um meio de subsistência para os brandeiros”. “Por volta de 1950, devido à emigração, deu-se um envelhecimento progressivo da população e duas décadas mais tarde, a situação agravou-se com a florestação tendo os brandeiros abandonado quase por completo este sistema de transumância”.

www.refugiodoscregos.com

 

 

Ocupação do Território

Os primeiros vestígios de ocupação humana deste território, remontam a meados do IV milénio A.C., sendo a prova mais credível desta afirmação, a existência de mamoas - sepulcros megalíticos, destinados a inumações colectivas. Estas comunidades ter-se-ão fixado preferencialmente em chãs de planaltos, situados acima dos 700m. No II milénio A.C., Ter-se-á verificado um movimento expansionista destas comunidades em direcção aos vales férteis, com tendência para a sedentarização e para a prática agrícola.

Na idade do Bronze, aparecem os primeiros vestígios de armazenamento de produtos agrícolas, possivelmente associados ao uso de animais de carga e transporte. Na idade do Ferro, surgiu uma estrutura social hierárquica, estabelecida em povoados concentrados de carácter defensivo, situados em outeiros ou montes baixos com terrenos agrícolas circundantes, denominados de Castros.

Com a romanização assiste-se à renovação da agricultura, com corte das florestas e expansão das terras agrícolas, foi introduzida a propriedade privada em favor das chefias sociais romanas. Durante as invasões árabes, ocorreu um acentuado declínio populacional, em consequência dos violentos confrontos guerreiros, subsistindo unicamente pequenos campos agrícolas, trabalhados pelas populações, em regime de escravidão.

Com a reconquista cristã produziu-se, no território, um aumento da ocupação e da densidade populacional, assim como um crescimento da mancha agrícola. Iniciou-se então a ocupação das áreas de meia encosta. Nas zonas menos favoráveis para a agricultura foram implantadas as habitações, enquanto que as terras agrícolas e os lameiros se situavam em áreas mais baixas. Cultivava-se milho miúdo, centeio, linho, nabos, ervilhas, couves e fruteiras.

O mosteiro de Ermelo, teve um papel relevante na origem do povoamento, enquanto elemento dinamizador, através de concessões feitas às populações, que paulatinamente foram ocupando os territórios de montanha, formando um conjunto de casais dispersos pela área, muitos dos quais constituíram o núcleo embrionário das actuais povoações.

A multiplicação de casais diversificou a malha de ocupação nas áreas mais ricas e férteis, intensificando a vida pastoril, que por sua vez contribuiu para desenvolver um ponteado de cabanas e de cortes, situadas nas áreas de pastos estivais.

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ASPECTOS GEOGRÁFICOS

A freguesia de Gave está localizada no lindíssimo vale do rio Mouro. Estende-se por 975 hectares de terras amenas e férteis basicamente formadas em socalcos pelas encostas montanhosas da serra da Peneda, desde o leito do rio Mouro, até ao alto da Serra, de onde se obtém uma esplendorosa vista panorâmica.

Lá no alto, estão como testemunhas da extraordinária beleza as Brandas ou Verandas. As Verandas da Aveleira e do Covelo, localidades onde estão muitas moradias de verão, servem ao mesmo tempo de casas de veraneio e de região para a pastorícia e agricultura.

Do núcleo maior de moradias da freguesia, onde se encontram também, a igreja paroquial, a escola e a sede da junta, desfruta-se igualmente, de vistas panorâmicas impossíveis de serem esquecidas, por quem tenha o privilégio de conhecê-las.
Gave está circundada pelas seguintes freguesias vizinhas: No lado norte, a partir da outra margem do rio Mouro, Cousso. No nascente, Parada do Monte. Do concelho de Arcos de Valdevez, as freguesias de Sistelo e da Gavieira são os limites a sul. Do concelho de Monção, a freguesia de Riba de Mouro está a demarcar o lado poente.

Gave compõe-se dos seguintes lugares: Baldosa, Listedo, Costa, Sobreira, Lameiro, Chãos, Barroca, Cofares, Ferrão, Pias, Lage, Coelhos, Senhora do Alívio, Igreja, S. Cosme, Pombal, Serdeiral, Vale, Prolteiro, Eiriz,Barreiros, Nogueira, Covelo e Aveleira.
O Topónimo Gave pode ter várias origens. Entre algumas possíveis, temos as seguintes hipóteses de nomes para apreciação: Gave seria segundo opinião de alguns autores, uma corrupção de Gavião, ou de Gávea. Gávia, Gábea, Gábia, Agabre ou Agrabe.

Ou ainda Cávia ou Cávea. Pela proximidade com a Gavieira podia, por isso, ter aí também, uma das origens para o nome.
Parece merecer uma boa aceitação, a hipótese do nome Agrabe ou Agabre, palavra do Latim Grave, que quer dizer “pesado, custoso, penoso, doloroso. Porque, era dificultoso, carregando o que quer que fosse, atingirem-se os locais desta região.


RESENHA HISTÓRICA

Américo Costa refere a antiga freguesia de Santa Maria de Gave, como vigairaria do reitor de Riba de Mouro, no termo de Valadares, pertenceu a este an­tigo Concelho até 24/10/1855 quando passou para o de Melgaço.

A paróquia não está referenciada documentalmente antes do século XIV. Foi uma vigairaria da apresentação do Reitor de Riba de Mouro e pertenceu até 1855 ao concelho de Valadares extinto nesse mesmo ano. Alguns documentos da Época Moderna atribuem-lhe a denominação de Gavea, mas em 1936 pelo decreto lei nº 27424, de 31 de Dezembro, foi-lhe dado oficialmente o nome de Gave.

Por serem de extrema importância na freguesia e na região como um todo, importa falar-se mais a respeito das Brandas ou Verandas que constituem com as Inverneiras, um curioso fenómeno de ocupação humana do espaço natural envolvente. Através do sistema das Brandas e das Inverneiras, duas áreas distintas dum território são ocupadas e exploradas em paralelo por uma mesma comunidade humana, a qual, em complementaridade, ocupa alternadamente e de acordo com o calendário de mudanças estacionais, ora uma área ora outra.

A mobilidade residencial é o critério diferenciador que conduz à bipartição da área geográfica e social, em lugares de população sedentária (fixos) e lugares de população migrante. As Brandas e as Inverneiras pertencem à modalidade de lugares móveis e a forma particular de organização da vida económica e social da população que integra as Brandas e as Inverneiras, constituem as diferenças em relação ao ecossistema do qual fazem parte. Por outro lado, a situação geográfica e as características climáticas, bem como a situação do espaço provocada pelo aumento demográfico, parecem constituir as explicações mais próximas para a origem das Brandas e das Inverneiras.

Tradicionalmente as Brandas eram áreas de pastagens onde se fixavam os pastores com os seus rebanhos durante a estação estival com a finalidade de protegerem os pastos das Inverneiras necessários à alimentação dos animais, durante todo o resto do ano.

No território da freguesia de Gave não são utilizadas as Inverneiras, mas registam-se duas Brandas, que obviamente se localizam em plena Serra da Peneda. São as Brandas do Covelo, uma das encostas da freguesia e a Branda da Aveleira já em pleno planalto serrano.

Presentemente estas Brandas apresentam uma tendência mais votada ao estudo dos usos de ocupação e “habitat” agro-pastoril do passado e também a fins turísticos procurando dessa forma extrair-se alguma rentabilidade complementar à vida dura e pobre da montanha.

Procura-se assim recuperar as casas das Brandas para desenvolver o turismo rural, aproveitando todas as potencialidades que a Natureza oferece a quem a sabe respeitar e dela usufruir.

No aspecto turístico, a principal referência vai para a Branda da Aveleira onde existe em funcionamento, um complexo turístico, com turismo de habitação e em ambiente rural, muito bem integrado na paisagem natural, própria do planalto (a 1000 metros de altitude).
 

www.jf-gave.com/