2003-05-03 Travessia da Gardunha

 

Iniciamos o percurso em Alcangosta e fizemos a difícil subida até ao topo da Serra da Gardunha, descendo depois na direcção de Castelo Novo, onde nos esperavam os restantes companheiros da expedição.

A existência de Castelo Novo, cuja índole medieval transparece ao primeiro olhar, é comprovada documentalmente no início do séc. XIII, no reinado de D. Sancho I, com a designação de Alpreada, pelo foral outorgado por D. Pedro Guterres, seu donatário, e sua mulher Ausenda Soares, em Maio de 1202, segundo o modelo coevo da Covilhã. Tal carta de foro - que veio a servir de modelo ao foral de Lardosa (povoação vizinha) em Fevereiro de 1233 -, e que apenas tem par; enquanto foral antigo, no Escarigo (de 13 de Setembro de 1296), confere a Castelo Novo a maior antiguidade de todos os antigos concelhos existentes na circunscrição do actual município do Fundão.

Abandonada, Castelo Novo foi doada aos Templários, mais tarde Ordem de Cristo, para que se fizesse o seu repovoamento e para que fosse assegurada a posse dos domínios reconquistados aos muçulmanos.

Em 1290 D. Dinis dá-lhe novo foral tendo mandado novamente repovoar e reconstruir o Castelo. No tempo de D. Dinis esta área foi arborizada com castanheiros, formando belíssimos soitos.

Com D. Manuel, que manda reconstruir o Castelo, é-lhe dado Foral Novo a 1 de Junho de 1510. Datam dessa época o Pelourinho e a Casa da Câmara que exibe as armas manuelinas e que tem ainda implantado na sua frontaria um belo chafariz de três bicas, também manuelino.

Em 1557, aquando do Numeramento Joanino, Castelo Novo é vila.

Só no século passado Castelo Novo perdeu a prerrogativa de município, mantida ao longo de 634 anos: em 1835 foi integrado no concelho de Alpedrinha e depois, a 24 de Outubro de 1855, anexado, com este, ao concelho do Fundão.

A recuperação dos edifícios e do espaço de Castelo Novo vai no sentido de realçar os vestígios do seu passado histórico susceptíveis de atrair e fixar visitantes a caminho da Serra da Estrela. Pretende assim gerar-se a dinamização das actividades económicas, sociais e culturais, nomeadamente das ligadas ao turismo.

 

José Almeida

Amigos da Chão

 
 
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